Dona de 107 shoppings e centros comerciais entra em falência depois que grandes lojas começam a desaparecer
Uma das maiores donas de shopping centers dos EUA entrou em falência depois que vários de seus lojistas âncora também quebraram. Entenda o efeito em cadeia

O que você vai ver
- Qual dona de 107 shoppings entrou em falência.
- Por que a falência dos próprios lojistas arrastou a dona dos shoppings.
- Que tipo de shopping fazia parte do portfólio.
- Quanto de dívida a empresa pretendia eliminar.
Uma das maiores donas de shopping centers dos Estados Unidos entrou com pedido de recuperação judicial depois de ver, um atrás do outro, vários de seus próprios lojistas âncora também pedirem proteção contra credores.
Qual dona de 107 shoppings entrou em falência?
A empresa é a CBL & Associates Properties, fundo imobiliário (REIT) especializado em shopping centers que, em novembro de 2020, entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos com um portfólio de 107 propriedades comerciais espalhadas por 26 estados, somando mais de 6,2 milhões de metros quadrados de área.
O pedido veio depois de meses de queda no recebimento de aluguéis, agravada pela pandemia, que esvaziou corredores de shopping e levou lojistas a atrasar ou simplesmente parar de pagar pelos espaços que ocupavam dentro dos empreendimentos da CBL.

Por que a falência dos próprios lojistas arrastou a dona dos shoppings?
Mais de 30 lojistas que operavam dentro dos shoppings da CBL entraram com seus próprios pedidos de recuperação judicial só em 2020, incluindo redes âncora como a J.C. Penney, uma das maiores lojas de departamento do portfólio, e o grupo Ascena, dono de marcas como Ann Taylor e LOFT.
Quando uma loja âncora fecha, o efeito se espalha por todo o shopping: lojas menores ao redor perdem o fluxo de clientes atraído por essas âncoras, o que reduz ainda mais o valor dos aluguéis que a CBL conseguia cobrar e cria um ciclo difícil de reverter sem uma reestruturação profunda da própria dívida.
Que tipo de shopping fazia parte do portfólio?
O portfólio da CBL era formado principalmente pelos chamados shoppings de classe B e C, categoria intermediária e mais modesta dentro do mercado imobiliário americano, medida pelo volume de vendas por metro quadrado gerado em cada empreendimento, geralmente localizados em cidades menores ou regiões afastadas dos grandes centros.
Esse tipo de shopping costuma depender ainda mais da presença de grandes lojas âncora para atrair público, já que tem menos marcas de luxo ou grifes exclusivas capazes de sustentar o fluxo de visitantes sozinhas, o que tornou a CBL particularmente vulnerável à onda de falências que atingiu o varejo físico americano.
Quanto de dívida a empresa pretendia eliminar?
O plano de recuperação judicial da CBL previa eliminar cerca de R$ 8,25 bilhões em dívidas por meio de um acordo de reestruturação previamente negociado com a maior parte dos credores, movimento que buscava dar à empresa fôlego financeiro para manter os shoppings restantes operando.

O que aconteceu com os shoppings depois da recuperação judicial?
Diferentemente de uma loja que fecha e desaparece, um shopping em recuperação judicial normalmente continua funcionando durante todo o processo, já que fechar de vez um empreendimento inteiro costuma destruir muito mais valor do que mantê-lo aberto enquanto a dívida é renegociada com os credores.
A CBL seguiu esse caminho, mantendo a maior parte dos 107 empreendimentos em operação normal para o público durante a reestruturação, na expectativa de que a redução da dívida desse fôlego suficiente para atrair novos lojistas para os espaços deixados vazios pelas âncoras que haviam fechado.
- Novembro de 2020: pedido de recuperação judicial da CBL & Associates.
- 107 propriedades em 26 estados no portfólio da época.
- Mais de 30 lojistas do próprio portfólio também em recuperação judicial em 2020.
- Cerca de R$ 8,25 bilhões em dívida a ser eliminada pelo plano.
O mesmo tipo de efeito em cadeia, causado pela falência dos próprios lojistas, também apareceu no colapso de uma rede de moda jovem que dependia justamente do fluxo de visitantes de shoppings tradicionais, como mostra o caso da Charlotte Russe, que fechou lojas por causa da queda de movimento nos shopping centers.
Mais detalhes sobre o processo estão disponíveis na CNBC.
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