Dona de várias marcas conhecidas de roupas entra em falência e coloca uma enorme rede de lojas em reestruturação
Controladora de várias marcas conhecidas de moda feminina entrou em falência em 2020. Entenda por que uma grande aquisição é apontada como o início do superendividamento

O que você vai ver
- Qual dona de várias marcas de roupas entrou em falência.
- Por que a compra de uma grande concorrente é apontada como o início do problema.
- Se alguma marca do grupo já tinha desaparecido antes da falência.
- Quantas lojas e marcas ficaram em risco no processo.
A dona de um verdadeiro portfólio de marcas de roupa feminina, montado ao longo de anos de aquisições, entrou com pedido de recuperação judicial em 2020 colocando toda a sua enorme rede de lojas em processo de reestruturação de uma só vez.
Qual dona de várias marcas de roupas entrou em falência?
A empresa é a Ascena Retail Group, então controladora das marcas Ann Taylor, LOFT, Lane Bryant, Justice e Lou & Grey, que em julho de 2020 entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos listando cerca de R$ 68,75 bilhões em passivos totais, dos quais aproximadamente R$ 8,8 bilhões em dívida financeira propriamente dita.
O plano de reestruturação previa eliminar cerca de R$ 5,5 bilhões dessa dívida por meio de acordo com credores, ao mesmo tempo em que a empresa vendia praticamente todas as suas marcas operacionais como negócios separados dentro do próprio processo judicial.
Ann Taylor, LOFT and Lane Bryant sold to buyout firm for $540M https://t.co/BZ0cNek4HZ pic.twitter.com/GwY98AvdNx
— New York Post (@nypost) November 27, 2020
Por que a compra de uma grande concorrente é apontada como o início do problema?
Em 2015, a Ascena pagou cerca de R$ 11 bilhões para comprar a ANN Inc., dona das marcas Ann Taylor e LOFT, numa aquisição apresentada na época como o passo decisivo para transformar a empresa na maior rede de moda feminina de shopping center dos Estados Unidos.
O negócio não trouxe o resultado esperado: entre o fechamento da aquisição e o fim de 2019, as ações da Ascena perderam cerca de 96% do valor, e a companhia acumulou prejuízos operacionais de aproximadamente R$ 13,2 bilhões desde meados de 2014, tendo apenas um único ano com lucro operacional positivo em cinco exercícios completos.
Alguma marca do grupo já tinha desaparecido antes da falência?
Sim. Ainda em 2019, um ano antes do pedido de recuperação judicial que atingiu o restante do grupo, a Ascena já havia encerrado por completo a operação da Dressbarn, uma de suas marcas mais antigas voltadas à moda feminina de preço acessível, fechando todas as lojas da bandeira.
Esse fechamento antecipado de uma marca inteira já sinalizava que a companhia reconhecia internamente a inviabilidade de sustentar um portfólio tão grande de marcas simultâneas, movimento que se mostraria apenas o primeiro de vários cortes que culminariam na recuperação judicial do restante do grupo no ano seguinte.
Por que ter tantas marcas ao mesmo tempo virou um problema?
A estratégia da Ascena ao longo da década de 2010 foi reunir sob um mesmo grupo marcas voltadas a públicos bem diferentes, da moda adolescente da Justice à moda plus size da Lane Bryant, passando pelo segmento mais executivo da Ann Taylor, apostando que a diversidade de públicos protegeria o grupo de oscilações num nicho específico.

Na prática, administrar marcas tão distintas sob a mesma estrutura corporativa multiplicou a complexidade operacional e os custos fixos, sem que o grupo conseguisse extrair as sinergias de escala que justificavam, em teoria, todas as aquisições feitas nos anos anteriores.
Quantas lojas e marcas ficaram em risco no processo?
O pedido de recuperação judicial de 2020 colocou em xeque cerca de 1.600 das aproximadamente 2.800 lojas que a Ascena ainda mantinha no mundo todo, atingindo diretamente as marcas Ann Taylor, LOFT, Lane Bryant, Justice e Catherines, sendo que todas as unidades da Catherines acabaram fechadas por completo durante o processo.
- Julho de 2020: pedido de recuperação judicial da Ascena Retail Group.
- 2015: aquisição da ANN Inc. (Ann Taylor e LOFT) por cerca de R$ 11 bilhões.
- 2019: fechamento total da marca Dressbarn, antes mesmo da falência do grupo.
- Cerca de 1.600 das 2.800 lojas do grupo colocadas em risco no processo.
Assim como a Ascena se endividou tentando crescer por aquisições, o mesmo padrão apareceu na compra de uma concorrente que não resolveu os problemas de outra rede americana de roupas, como mostra o caso da dona de Men’s Wearhouse e Jos. A. Bank, que também foi à falência em 2020.
Mais detalhes sobre o processo estão disponíveis na CNBC.
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