O supernavio de 362 metros ligado à Vale que carrega 400 mil toneladas de minério e usa o vento para gastar menos combustível
Cinco cilindros gigantes transformam a força do vento em propulsão auxiliar enquanto outras tecnologias tentam reduzir a resistência do casco
Um gigante capaz de transportar cerca de 400 mil toneladas de minério de ferro em uma única viagem está servindo de laboratório para uma tecnologia que parece saída dos antigos veleiros. Os navios Valemax estão entre os maiores graneleiros já construídos, e uma dessas embarcações ganhou cinco enormes cilindros verticais que transformam o vento em força adicional de propulsão.
Por que os navios Valemax ficaram gigantescos para transportar minério brasileiro?
Os Valemax foram desenvolvidos para transportar enormes volumes de minério de ferro em rotas intercontinentais, principalmente entre o Brasil e mercados asiáticos. As embarcações dessa classe chegam a aproximadamente 362 metros de comprimento, 65 metros de largura e cerca de 400 mil toneladas de capacidade de porte bruto.
O tamanho tem uma lógica econômica: transportar muito mais minério em uma única viagem permite diluir parte do consumo energético e das emissões por tonelada movimentada. Isso não transforma um navio gigantesco em um veículo de baixo impacto, mas aumenta sua eficiência relativa quando comparado ao transporte do mesmo volume em embarcações menores.
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Como os navios Valemax conseguem aproveitar o vento sem usar velas tradicionais?
O Sohar Max, Valemax de 362 metros e capacidade para 400 mil toneladas, recebeu cinco Rotor Sails desenvolvidas pela Anemoi. Cada cilindro possui cerca de 35 metros de altura e 5 metros de diâmetro. Ao girarem enquanto o vento passa por suas superfícies, eles produzem uma força aerodinâmica que auxilia o movimento do navio.
As dimensões deixam claro que não estamos falando de pequenas economias domésticas:
- Comprimento do navio de aproximadamente 362 metros
- Capacidade de cerca de 400 mil toneladas
- Cinco rotores instalados no convés
- Cilindros com aproximadamente 35 metros de altura
- Economia de combustível projetada em até 6%
Este vídeo da Anemoi mostra especificamente o Sohar Max depois da instalação dos cinco rotores e permite visualizar a escala dessas estruturas sobre um dos maiores graneleiros do mundo.
Por que os navios Valemax usam cilindros giratórios em vez de enormes velas de tecido?
Os cilindros exploram o chamado efeito Magnus. Quando uma superfície cilíndrica gira enquanto recebe vento, surge uma diferença de pressão entre seus lados, produzindo uma força perpendicular ao fluxo. No navio, parte dessa força pode ser aproveitada como impulso adicional, reduzindo a carga exigida do motor em condições favoráveis.
No Sohar Max, os rotores também podem ser rebatidos. Essa solução evita que estruturas de 35 metros atrapalhem determinadas operações portuárias e ajuda a contornar limitações de altura. A expectativa divulgada pela Vale é reduzir o consumo de combustível em até 6% e evitar até cerca de 3 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano.
As microbolhas de ar também estão instaladas nesses gigantes de 400 mil toneladas?
Aqui existe uma diferença importante. A Vale realmente testa um sistema chamado Air Lubrication, que cria uma camada de bolhas sob o casco para diminuir a resistência entre a embarcação e a água. Porém, o primeiro navio da empresa equipado com essa solução foi o Sea Victoria, da classe Guaibamax, com capacidade de 325 mil toneladas, e não um Valemax de 400 mil.
Segundo a Vale, dez compressores alimentam 20 dispositivos instalados sob o casco para produzir o “tapete” de ar. A expectativa inicial era reduzir o consumo de combustível entre 5% e 8%.
| Tecnologia | Como economiza energia |
|---|---|
| Rotor Sails | Transformam vento em impulso adicional |
| Air Lubrication | Cria bolhas para reduzir a resistência do casco |
| Casco otimizado | Reduz resistência hidrodinâmica durante a navegação |
O Sohar Max realmente consegue gastar menos combustível apesar de carregar 400 mil toneladas?
A tecnologia não faz o motor desaparecer. Os grandes motores marítimos continuam responsáveis pela propulsão principal, enquanto os rotores fornecem assistência quando direção e intensidade do vento são favoráveis. Em alguns trechos, portanto, o benefício será maior; em outros, muito menor.
O teste iniciado pela Vale e pela armadora omanense Asyad depois da instalação dos rotores em 2024 busca justamente medir o desempenho real durante viagens comerciais. Isso é mais importante do que resultados obtidos apenas em simulações, porque oceano, vento, velocidade, carregamento e rota mudam continuamente.

Por que esses gigantes podem indicar o futuro do transporte marítimo de minério?
O interesse está em combinar várias melhorias, e não encontrar uma tecnologia milagrosa. Propulsão assistida pelo vento, lubrificação por ar, motores mais eficientes e otimização operacional podem reduzir gradualmente a quantidade de combustível necessária para transportar cada tonelada de carga.
O Valemax continua sendo um gigante movido principalmente por motor, mas o Sohar Max mostra uma mudança curiosa na engenharia naval: depois de mais de um século substituindo as velas por motores cada vez mais potentes, alguns dos maiores navios do planeta voltaram a aproveitar o vento — agora com cilindros automatizados de 35 metros.
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