Gigante dos eletrônicos fecha dezenas de lojas sem aviso e 1.500 trabalhadores se despedem da antiga marca
Rede de eletrônicos foi fechada de um dia para o outro pela própria dona, sem aviso prévio, e 1.500 trabalhadores perderam o emprego. Entenda por que a marca foi apagada do mapa

O que você vai ver
- Qual gigante dos eletrônicos fechou dezenas de lojas de um dia para o outro.
- Por que a própria dona da marca decidiu apagá-la.
- Como os funcionários souberam do fechamento.
- O que sobrou da marca depois do fechamento.
Uma rede de eletrônicos que por décadas competiu de igual para igual com sua própria compradora foi fechada de uma hora para outra, sem aviso prévio nem período de transição para os funcionários, num movimento que eliminou cerca de 1.500 postos de trabalho no Canadá.
Qual gigante dos eletrônicos fechou dezenas de lojas de um dia para o outro?
A rede é a Future Shop, fundada em Vancouver em 1982 e comprada pela Best Buy em 2001 por cerca de R$ 2 bilhões na cotação da época, numa aquisição que na ocasião foi vista como uma forma de a americana entrar com força no mercado canadense sem abrir mão da marca local já consolidada.
Em março de 2015, a Best Buy anunciou o fechamento imediato de 66 das lojas da Future Shop, convertendo 65 unidades para a própria bandeira Best Buy e encerrando de vez os 13 anos em que manteve as duas marcas operando lado a lado no país.
POV: It’s 2008 and you walk into Future Shop pic.twitter.com/pz8NLNrMKo
— Made In Canada (@MadelnCanada) May 13, 2026
Por que a própria dona da marca decidiu apagá-la?
A Best Buy justificou a decisão citando a necessidade de simplificar a operação canadense, que vinha mantendo duas redes praticamente idênticas competindo pelos mesmos clientes e sofrendo dos mesmos problemas: queda nas vendas de eletrônicos por causa do comércio eletrônico e da concorrência de gigantes como a Amazon.
Manter duas marcas com estruturas de estoque, folha de pagamento e imóveis separadas havia deixado de fazer sentido financeiro, segundo a empresa, que optou por consolidar tudo sob o nome Best Buy, mais forte internacionalmente, em vez de continuar disputando internamente entre suas próprias bandeiras.
Como funcionava a rivalidade entre as duas marcas da mesma dona?
Durante os 13 anos em que operou junto com a Best Buy, a Future Shop chegou a manter lojas a poucos quarteirões de distância de unidades da própria compradora, em várias cidades canadenses, funcionando quase como concorrentes diretas mesmo pertencendo à mesma empresa por trás dos bastidores.
Essa convivência gerava duplicidade de custos com estoque, publicidade e equipes de vendas competindo pelos mesmos consumidores, o que reforçou o argumento interno de que fundir as operações sob uma única marca traria economia imediata, ainda que ao custo de fechar dezenas de lojas de uma só vez.
Como os funcionários souberam do fechamento?
O anúncio pegou os trabalhadores de surpresa: muitos souberam do fechamento apenas na manhã do próprio dia, quando chegaram às lojas e foram informados de que a unidade não abriria mais, sem qualquer aviso prévio nas semanas ou dias anteriores.
Relatos da época descreveram funcionários sendo acompanhados por seguranças para retirar pertences pessoais e entregar crachás e uniformes, tratamento que gerou forte repercussão negativa na imprensa canadense e críticas de entidades trabalhistas sobre a forma abrupta como a Best Buy conduziu o processo, mesmo com a empresa oferecendo pacotes de indenização aos demitidos.

O que sobrou da marca depois do fechamento?
Depois de março de 2015, a Best Buy manteve apenas o site de e-commerce da Future Shop funcionando por um breve período de transição, redirecionando compradores para a loja online da própria Best Buy pouco tempo depois, até a marca desaparecer completamente do mercado canadense.
O caso repete um padrão visto em outras aquisições que terminaram no apagamento da marca comprada, como aconteceu quando a Children’s Place e a Gap dividiram entre si as marcas da Gymboree após a segunda falência da rede.
Mais detalhes sobre o fechamento estão disponíveis na The Globe and Mail.
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