UNE convoca protesto contra ato de Renan Santos na USP
Candidato diz ter documentação necessária para realizar o ato e acusa esquerda de não aceitar o contraditório
A UNE (União Nacional dos Estudantes) e o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, convocaram um protesto contra o primeiro ato de campanha marcado pelo candidato à Presidência da Missão, Renan Santos, no Largo São Francisco.
Renan estudou no local e promete reunir mais de 2 mil pessoas no próximo domingo, 16.
“O Largo São Francisco é território de democracia, liberdade e resistência. Os estudantes não aceitarão que o espaço histórico da Faculdade de Direito da USP seja utilizado para a promoção de discursos e projetos de extrema-direita”, diz a postagem do XI de Agosto.
Já o ato de protesto está marcado para quinta-feira, 13.
Em resposta, Renan afirmou ter toda a documentação necessária para a realização do evento de campanha e criticou a mobilização contra seu ato.
“De acordo com eles, é um ataque à democracia eu fazer um ato democrático autorizado e tudo certo dentro da legalidade. E eles, que não conseguem aceitar o contraditório, vão fazer um ato em nome da democracia contra alguém que eles consideram um antidemocrata. Isso é apenas ridículo, mas, enfim, né, a esquerda brasileira saindo do seu buraco no período de eleição e também mostrando sua irrelevância total e completa. No fim do dia, vão apenas passar vergonha e vão ajudar a me divulgar, como eles sempre fazem. Então, agradeço a eles pelo ato”, disse Renan ao Metrópoles.
Na sexta, 17, Renan já havia afirmado que a tentativa de impedir o ato revela, segundo ele, a fraqueza de seus adversários.
“Querem proibir cidadãos de falar, candidatos de se expor, ideias de existir. Não fazem isso por força, algo que não tem; fazem isso pois são fracos, e o fraco sempre tem medo do forte e do verdadeiro. A velha academia se tornou um local estéril, tomada de gente sem talento e professores cansados. Não é sequer sombra daquilo que um dia já foi”.
“Minha campanha começa domingo, dia 16 de agosto, com a presença de milhares de apoiadores, no centro da cidade em que nasci e no terreno em que aprendi a fazer democracia. Chorem o quanto quiserem, amiguinhos. Sua cota de lamentações está apenas começando”, finalizou.
O patrimônio de Renan
Renan declarou à Justiça Eleitoral neste ano um patrimônio de 795,08 mil reais.
O montante inclui um bem de 275,32 mil reais (não especificado) relacionado com o exercício da atividade autônoma, 119,76 mil reais por participação societária, 100 mil em quotas de capital e 300 mil reais em outros créditos e poupança vinculados.
A declaração de bens é obrigatória para todos os candidatos. Este ano marca a estreia de Renan nas urnas.
Na última terça-feira, 4, em sabatina de O Antagonista e G4, ele relembrou sua trajetória e disse que administrou várias empresas ao longo da vida.
“Minha vida pregressa toda passou por administrar empresas. Eu sei o que é fazer uma folha de pagamento. E o pior, eu sei o que é pegar uma empresa fechada, quebrada, com os funcionários há cinco meses sem receber, botar para andar baseado no crédito pessoal que eu construí recuperando empresas. Eu trabalhei não com uma, nem com duas, mas com quase uma dezena de empresas ao longo da minha vida”, declarou.
“Sei o que é estar no banco dos réus da justiça trabalhista, ouvindo a injustiça de um sindicato safado que tentou te extorquir no momento da negociação anterior. Sei exatamente o que é ter um agiota ligado a uma factoring indo querer te empurrar as dívidas da gestão anterior com um juros que não deve ser aceitado. Sei justamente fazer isso. E essa é a postura que o próximo presidente da República deve ter. Porque vamos pegar um cenário muito similar a esse”.
Segundo Renan, presidente da República precisa da ética da responsabilidade e “liderar um país não é uma entrevista de emprego, liderar um país é apontar o caminho de um povo como um todo”. “Meu objetivo não é obter um lucro, meu objetivo é obter um horizonte. São coisas diferentes, ambas muito nobres, mas elas têm naturezas diferentes”.
Ele se apresentou como “um líder gestor qualificado”. “No setor privado, porque a atividade política que eu toco, inclusive o partido político, é um ente privado. E é um ente privado em que fazemos muito mais com muito menos”.
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