Três investidores compraram a rede usando só US$ 1,3 bilhão do próprio bolso, e jogaram os outros US$ 5,3 bilhões de dívida direto na empresa
Bain Capital, KKR e Vornado compraram a Toys R Us usando US$ 1,3 bi próprios e jogaram US$ 5,3 bi de dívida na empresa. A conta que levou à falência

O que você vai ver
- Qual rede de brinquedos foi comprada com dívida própria.
- Como funcionou essa compra alavancada.
- Quanto a dívida custava por ano.
- Como terminou a história.
Em 2005, três grandes investidores compraram uma tradicional rede de brinquedos por US$ 6,6 bilhões, mas colocaram apenas US$ 1,3 bilhão do próprio dinheiro na operação. Os outros US$ 5,3 bilhões viraram dívida, carregada não pelos compradores, mas pela própria empresa comprada.
Qual rede de brinquedos foi comprada com dívida própria?
A rede é a Toys “R” Us, tradicional loja de brinquedos americana, adquirida em 2005 por um consórcio formado pela Bain Capital, pela KKR e pela Vornado Realty Trust, três grandes nomes do mercado de private equity e imóveis.
Décadas depois de dominar o varejo de brinquedos nos Estados Unidos, a empresa pediu falência em 2017 e liquidou praticamente todas as lojas americanas em 2018, processo que eliminou cerca de 735 unidades e aproximadamente 30 mil empregos.
Looking back, the real gift of Toys R Us wasn’t the toys themselves. It was the permission to want, to imagine, and to believe that the next aisle might hold something perfect. pic.twitter.com/5279PnuKvE
— RetroByteVault (@RetroByteVault) August 8, 2026
Como funcionou essa compra alavancada?
A operação de 2005 foi estruturada como uma aquisição alavancada: os três investidores usaram apenas US$ 1,3 bilhão de capital próprio para fechar um negócio de US$ 6,6 bilhões, financiando o restante com dívida que, ao final da estrutura, ficou registrada no balanço da própria Toys “R” Us, não dos compradores.
Esse modelo permite que investidores adquiram empresas grandes com desembolso relativamente pequeno, mas transfere o risco financeiro da dívida diretamente para dentro do negócio comprado, independentemente de esse negócio ter ou não capacidade de sustentar esse novo peso.
Quanto a dívida custava por ano?
Pagar juros sobre a dívida herdada da compra custava à Toys “R” Us cerca de US$ 400 milhões por ano, valor que consumia boa parte do caixa que, em outras circunstâncias, poderia ter sido usado para modernizar lojas e investir em comércio eletrônico.
- Antes da compra alavancada: reservas de caixa de US$ 2,2 bilhões.
- 2017, antes da falência: reservas reduzidas para US$ 301 milhões.
- US$ 400 milhões consumidos anualmente só com o serviço da dívida.
- Concorrência crescente de Amazon e grandes redes de varejo generalistas.
O tamanho dessa sangria fica claro numa comparação simples: as reservas de caixa da empresa, que somavam US$ 2,2 bilhões antes da compra alavancada, haviam caído para apenas US$ 301 milhões em 2017, justamente quando mais precisava de capital para reagir à concorrência do comércio eletrônico.

Como terminou a história?
Sem caixa suficiente para investir em modernização, a Toys “R” Us perdeu terreno de forma acelerada para Amazon e redes de varejo generalistas como Walmart, que passaram a vender brinquedos com preços mais competitivos e conveniência que a rede especializada não conseguia igualar.
A empresa pediu falência em 2017 e, no ano seguinte, liquidou praticamente todas as lojas americanas, um desfecho que investidores e analistas do setor descreveram amplamente como resultado direto da estrutura de dívida herdada da compra de 2005, não de uma perda repentina de popularidade da marca.
Assim como no caso da Party City, também sufocada por dívida herdada de fundos de private equity, a Toys “R” Us se tornou um dos exemplos mais citados de como esse tipo de estrutura financeira pode condenar uma empresa saudável em sua operação original.
Mais detalhes sobre o caso estão disponíveis no Forbes.
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