Letícia Barros na Crusoé: A guerra identitária não tem vencedores
Quem perde o filho para uma doença evitável por falta de saneamento básico não tem sigla que o represente, tem só esgoto a céu aberto
Em uma recente palestra política na cidade de San Diego, o professor e cientista Dr. Gad Saad contou a história de uma mulher que, após ser violentada sexualmente por um homem negro, justificou o crime como uma espécie de “vingança” à supremacia branca sob a qual estava submetida.
Ao saber desta história, tive uma genuína epifania: a guerra identitária está causando uma degradação gradual e silenciosa da humanidade.
O identitarismo nada mais é do que uma mobilização social e política por ações afirmativas e protetoras de grupos que abarcam pessoas que compartilham aspectos de sua identidade — seja sua cor, orientação sexual, sexo, entre outros.
Esse ideário nasceu em meados da década de 1960, com o surgimento dos movimentos sociais, como o feminismo e o antirracismo.
Hoje, representa uma estrutura social similar à luta de classes de Marx: em vez de dividir a sociedade pelo critério econômico, divide pelo critério da identidade.
Em sua essência, há uma intenção legítima de cuidado e suporte àqueles que, em algum momento histórico, sofreram opressão e são, hoje, chamados de “minorias“.
Durante toda a história da humanidade, dentre conquistas, quedas e ascensão de poder, guerras e inovações, inúmeros grupos foram oprimidos – o Holocausto e a escravidão sendo os mais destacados.
Fechar os olhos para esse fato constitui não só uma ignorância intelectual, como também moral.
O que nem mesmo os cientistas políticos do século passado esperavam era uma escalabilidade tão gritante a ponto de a proteção excessiva promover a subserviência de certos grupos em detrimento de outros — pois aqueles devem uma reparação histórica, traduzida como uma dívida paga em nome das escolhas de seus antepassados.
Isso é o verdadeiro…
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