A ex-boia-fria que cortava cana para sobreviver e hoje fatura milhões com uma rede de franquias famosa
De trabalhos pesados na lavoura a uma pequena loja de 20 metros quadrados, sua trajetória deu origem a uma rede com centenas de unidades
Antes de comandar uma das maiores redes de bolos do Brasil, Cleusa Maria enfrentou uma infância de trabalho pesado, passou pela lavoura, pelo serviço doméstico e por empregos com salários modestos. Uma oportunidade aparentemente comum dentro de uma cozinha acabou mudando sua trajetória e dando origem à Sodiê Doces, negócio que começou em apenas 20 metros quadrados e depois se espalhou pelo país.
Como Cleusa Maria saiu da lavoura e chegou ao mundo dos negócios?
Cleusa nasceu em uma família numerosa e com poucos recursos no Paraná. Ainda muito jovem, ajudou a família no trabalho rural e, depois da morte do pai, precisou continuar trabalhando para contribuir com as despesas de casa. Entre as atividades documentadas em sua trajetória estão o trabalho como boia-fria e o corte de cana-de-açúcar, uma realidade muito distante dos escritórios e lojas que comandaria décadas depois.
A história frequentemente aparece nas redes sociais acompanhada da afirmação de que ela “quebrava pedras no sertão por R$ 5 ao dia”. Entretanto, esse detalhe específico não aparece nas biografias mais consistentes sobre a empresária. O que está documentado é igualmente duro: Cleusa trabalhou na lavoura, foi empregada doméstica e passou por funções de baixa remuneração antes de encontrar, já adulta, a oportunidade que a levaria à confeitaria.
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Qual acontecimento inesperado colocou o primeiro bolo no caminho da futura empresária?
A entrada de Cleusa na confeitaria não começou com uma escola especializada ou com o sonho de abrir uma franquia. Enquanto trabalhava em uma fábrica de alto-falantes em Salto, no interior de São Paulo, ela conheceu a mulher do patrão, que fazia bolos para vender. Quando essa mulher enfrentou um problema de saúde e precisou de ajuda, ensinou Cleusa a preparar uma encomenda.
A transformação aconteceu em uma sequência improvável.
- Trabalho na lavoura durante a juventude
- Experiência como empregada doméstica
- Emprego em uma fábrica de alto-falantes
- Primeiro contato com a produção de bolos
- Venda de encomendas para moradores da região
- Abertura da primeira pequena loja em 1997
Um vídeo publicado pela ISTOÉ Dinheiro conta a trajetória da ex-boia-fria que fundou a Sodiê Doces e apresenta a própria Cleusa falando sobre as dificuldades enfrentadas antes do crescimento da empresa. O registro ajuda a entender como a experiência com bolos surgiu quase por acaso e acabou se transformando em sua principal atividade profissional.
Como Cleusa Maria transformou uma receita aprendida por acaso em sua primeira loja?
Depois daquela experiência inicial, Cleusa começou a receber encomendas e percebeu que poderia transformar os bolos em uma fonte permanente de renda. No começo, não havia uma grande estrutura, investidores ou uma equipe profissional. Ela produzia, vendia e até levava encomendas pessoalmente aos clientes, enquanto aprimorava receitas e tentava fazer o nome circular pela cidade.
A história oficial da Sodiê Doces registra que o primeiro negócio foi aberto em 1997, em um espaço de apenas 20 metros quadrados na cidade de Salto. Com a ajuda da mãe, Cleusa estruturou aquela pequena operação e começou um crescimento gradual que levaria a lojas em cidades como Sorocaba, Americana, Itu e Indaiatuba.
Por que uma pequena doceria de 20 metros quadrados começou a se multiplicar pelo Brasil?
O crescimento inicial ocorreu de maneira regional. Conforme os bolos conquistavam clientes, novas unidades surgiam em cidades próximas. A operação também precisava se tornar mais organizada, porque produzir em escala crescente exigia padronização de receitas, atendimento e processos capazes de manter características semelhantes entre diferentes pontos de venda.
Em 2006, a empresa entrou definitivamente no modelo de franquias. Cleusa chegou a estudar o sistema depois de receber incentivo de um cliente interessado em abrir uma unidade. A primeira licença abriu caminho para uma expansão muito maior e, poucos anos depois, dezenas de lojas já operavam sob a mesma marca.
| Momento | O que aconteceu | Impacto |
|---|---|---|
| Juventude | Trabalho rural e empregos de baixa remuneração | Ajuda no sustento familiar |
| 1997 | Primeiro espaço de 20 m² em Salto | Nascimento do negócio |
| 2006 | Entrada no sistema de franquias | Expansão acelerada da rede |
| Anos seguintes | Centenas de unidades abertas | Marca ganha presença nacional |
Como Cleusa Maria levou a Sodiê Doces de uma pequena loja para centenas de unidades?
A transformação não aconteceu de uma vez. Durante anos, Cleusa precisou reinvestir no negócio, ampliar a produção, estruturar processos e aprender áreas administrativas que estavam muito distantes de sua experiência inicial. A Sodiê passou de uma doceria local para uma rede de franquias presente em diferentes estados brasileiros e posteriormente chegou também aos Estados Unidos.
O nome Sodiê surgiu da combinação dos nomes dos filhos de Cleusa, Sofia e Diego. Conforme a empresa cresceu, a marca ampliou o catálogo e transformou a variedade de sabores em uma de suas principais características comerciais. A rede passou a movimentar centenas de milhões de reais em faturamento anual, embora esse valor pertença ao conjunto de lojas e franquias da operação e não represente dinheiro que entra diretamente no patrimônio pessoal da fundadora.

O que tornou a trajetória de uma ex-boia-fria uma das histórias mais conhecidas do franchising brasileiro?
O contraste entre o começo e a dimensão alcançada pelo negócio chama atenção, mas existe outro aspecto importante nessa trajetória. Cleusa não começou a Sodiê com uma grande invenção tecnológica ou com um investimento milionário. Ela identificou uma oportunidade a partir de uma habilidade recém-aprendida e construiu gradualmente uma operação capaz de ser reproduzida em diferentes cidades.
Por isso, sua história continua chamando atenção décadas depois da abertura daquela primeira loja de 20 metros quadrados. A versão comprovada dos fatos já é suficientemente extraordinária sem precisar acrescentar episódios como quebrar pedras por R$ 5 ao dia: a mulher que trabalhou como boia-fria e cortadora de cana conseguiu transformar os primeiros bolos vendidos no interior paulista em uma rede com centenas de unidades e uma das marcas de confeitaria mais conhecidas do país.
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