Viktor Frankl: “de certo modo, o sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido”. A tese central de Em Busca de Sentido
"O sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido." A tese central de Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl
“De certo modo, o sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido.” A frase é do psiquiatra austríaco Viktor Frankl, no livro Em Busca de Sentido, escrito a partir de sua experiência como prisioneiro em campos de concentração nazistas.
Quem foi Viktor Frankl?
Nascido em Viena em 1905, Frankl era psiquiatra e neurologista antes de ser deportado, junto à família, para campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, passando por Theresienstadt, Auschwitz e outros campos entre 1942 e 1945.
Sobreviveu ao Holocausto, embora tenha perdido a esposa, os pais e o irmão nos campos, e retomou a vida profissional depois da guerra, desenvolvendo uma abordagem terapêutica baseada diretamente no que observou sobre sofrimento e sentido durante o cativeiro.
🧵 How to Find Meaning in the Darkest Places: 5 Principles from Viktor Frankl pic.twitter.com/JKafDkh21P
— Champ (@Champ_arise) August 5, 2026
O que ele quis dizer com essa frase?
Frankl não estava propondo que sofrimento seja algo bom ou desejável, mas descrevendo uma observação clínica e pessoal: quando uma pessoa consegue atribuir algum sentido à própria dor, mesmo uma dor extrema, a experiência subjetiva dessa dor muda, sem que o sofrimento físico ou a situação externa mudem em nada.
Ele exemplifica essa ideia no livro com o conceito de sacrifício: uma dor vivida em nome de algo ou alguém específico tende a ser suportada de forma diferente da mesma dor vivida sem qualquer sentido atribuído a ela.
- 1Realizar um trabalho ou criar algo significativo.
- 2Vivenciar algo ou amar alguém profundamente.
- 3Assumir uma atitude diante de um sofrimento inevitável.
O que é a logoterapia?
Logoterapia é o nome que Frankl deu à abordagem terapêutica que desenvolveu, centrada na busca por sentido como principal motivação humana, diferente de escolas anteriores da psicologia que colocavam prazer ou poder no centro do comportamento.
Segundo essa abordagem, ajudar uma pessoa a encontrar ou reconstruir sentido, seja através de trabalho, relações ou da forma como encara um sofrimento que não pode evitar, é o caminho central para lidar com crises psicológicas profundas.
Por que essa ideia não é sobre otimismo forçado?
É importante distinguir a tese de Frankl de uma mensagem de positividade genérica: ele não defende ignorar o sofrimento ou fingir que ele não existe, e escreveu o livro justamente a partir da observação de sofrimento extremo, em condições que ele descreve sem suavização.
O que ele propõe é mais específico: a possibilidade de manter alguma forma de dignidade e propósito mesmo dentro de circunstâncias que não podem ser mudadas, não a negação de que essas circunstâncias sejam, de fato, terríveis.
Two Thoughts from Viktor Frankl: pic.twitter.com/p8JdLjYkA1
— Reads with Ravi (@readswithravi) September 9, 2025
Outros relatos do período trazem reflexão parecida?
A busca por sentido em meio a circunstâncias extremas também está presente nos diários de Etty Hillesum, escritos em Amsterdã sob ocupação nazista antes de sua deportação, ainda que ela e Frankl nunca tenham se conhecido.
Alguns pontos em comum entre os dois relatos:
- Ambos foram escritos, ou reconstruídos, a partir da experiência direta de perseguição nazista.
- Nenhum dos dois nega ou suaviza a gravidade do que viveram.
- Ambos descrevem a vida interior como o único espaço que a violência externa não conseguiu ocupar por completo.

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