Gabriel García Márquez: “a vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda”. A epígrafe que abre suas memórias
"A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda." A epígrafe de Viver para Contar, de García Márquez, e o que ela diz sobre memória
“A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como a recorda para contá-la.” A frase abre as memórias do escritor colombiano Gabriel García Márquez.
Quem foi Gabriel García Márquez?
Nascido na Colômbia em 1927, García Márquez começou a carreira como jornalista antes de se consagrar como um dos maiores nomes da literatura em língua espanhola, autor de Cem Anos de Solidão, romance que ajudou a popularizar o chamado realismo mágico.
Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982, e é tratado até hoje, com afeto, pelo apelido de Gabo em boa parte da América Latina.
Hoje, Gabo (apelido de Gabriel Garcia Marquez) completaria 96 anos!
— Bookster – o moço dos livros (@booksterpp) March 7, 2023
O autor, um dos meus favoritos da vida, é mais conhecido por Cem anos de solidão e O amor nos tempos do cólera.
Mas se vc nunca leu nada do Gabo, não recomendo começar por esses. Deixo aqui 3 indicações q amo: pic.twitter.com/QWuSqIWqOA
O que é Viver para Contar?
É o primeiro volume de memórias de García Márquez, publicado originalmente em espanhol em 2002 e no Brasil como Viver para Contar, pela Editora Record, em tradução de Eric Nepomuceno.
- Cobre a infância e juventude do autor, até o início de sua carreira como jornalista.
- Foi planejado como o primeiro de três volumes de memórias, projeto que não chegou a ser concluído.
- A epígrafe do livro é a própria frase sobre memória e narrativa.
Por que a memória é uma forma de edição?
Ao abrir suas memórias com essa frase, García Márquez avisa o leitor que o livro não é uma reconstituição neutra dos fatos: é a versão que ele, décadas depois, escolheu lembrar e organizar em narrativa, com as inevitáveis omissões e ênfases que esse processo carrega.
A ideia central é que toda lembrança já é, de alguma forma, uma reescrita: ninguém recorda tudo com o mesmo peso, e o simples ato de contar uma história pessoal implica decidir o que fica em primeiro plano e o que desaparece.

Como Gabo transitava entre jornalismo e ficção?
García Márquez começou a carreira em redações de jornal na Colômbia, e manteve, mesmo depois de consagrado como romancista, a defesa de que apuração rigorosa e imaginação literária não eram forças opostas.
Essa mistura de precisão factual e invenção também aparece em Eduardo Galeano, outro cronista latino-americano que construiu a obra na fronteira entre reportagem e literatura, ainda que com um estilo bem mais fragmentado que o de García Márquez.
Por que essa epígrafe se tornou tão citada?
A frase circula hoje separada do livro, usada em contextos que vão da psicologia à autoajuda, quase sempre como um lembrete de que reconstruir o próprio passado é também, em algum grau, uma escolha ativa.
O que a torna diferente de boa parte das frases motivacionais que circulam com esse tema é justamente a origem: não é uma máxima solta, é a porta de entrada de um livro de memórias real, escrito por alguém que passou a vida profissional pensando sobre como se conta uma história.

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