Ave extinta no país há mais de 150 anos volta a colorir os céus, cria filhotes em liberdade e emociona moradores e biólogos
Uma ave de plumagem vermelha voltou à Argentina depois de mais de 150 anos e já criou filhotes em liberdade nos campos do Iberá. O projeto iniciado em 2015 preparou animais mantidos sob cuidados humanos para voar, buscar frutos e formar uma nova população selvagem. Qual ave voltou depois de mais de 150 anos? A...
Uma ave de plumagem vermelha voltou à Argentina depois de mais de 150 anos e já criou filhotes em liberdade nos campos do Iberá. O projeto iniciado em 2015 preparou animais mantidos sob cuidados humanos para voar, buscar frutos e formar uma nova população selvagem.
Qual ave voltou depois de mais de 150 anos?
A protagonista é a arara-vermelha, conhecida cientificamente como Ara chloropterus. A espécie pode alcançar cerca de 90 centímetros, possui penas vermelhas, verdes e azuis e forma casais que mantêm vínculos duradouros.
Ela ainda vive em outros países sul-americanos e globalmente não é considerada ameaçada. Na Argentina, porém, desapareceu completamente, fazendo do trabalho no Parque Iberá a primeira tentativa nacional de recuperar uma ave extinta localmente.

Por que a arara-vermelha desapareceu da Argentina?
Registros históricos situam a espécie nas florestas, palmares e matas de galeria do nordeste argentino. As últimas referências conhecidas em Corrientes são de meados do século XIX.
A perseguição por causa da plumagem, a captura para manutenção como animal de estimação e a transformação das florestas reduziram sua distribuição. As populações naturais mais próximas permaneceram a centenas de quilômetros, fora do território argentino.
Como o projeto iniciado em 2015 preparou as aves?
As primeiras araras vieram de doações particulares, zoológicos e centros de resgate. Antes da soltura, cada animal passou por avaliação sanitária, adaptação e treinamento para desenvolver comportamentos indispensáveis à sobrevivência.
As aves aprenderam a realizar voos longos, reconhecer frutos nativos e reagir a predadores. Recintos de pré-soltura permitiram contato gradual com o ambiente, enquanto transmissores ajudaram as equipes a acompanhar deslocamentos e possíveis dificuldades.
O processo reuniu etapas diferentes:
Quando apareceram os primeiros filhotes em liberdade?
Em setembro de 2020, um casal colocou três ovos em uma caixa-ninho instalada no norte do parque. Dois filhotes sobreviveram, receberam os nomes Tuco e Puré e foram alimentados pelos próprios pais.
As duas fêmeas começaram os primeiros voos em janeiro de 2021, com aproximadamente 91 dias. Segundo o relato da Fundación Rewilding Argentina, elas percorreram quilômetros acompanhadas pelo pai e foram monitoradas com transmissores VHF.
Quantas araras já vivem na população restaurada?
O trabalho criou núcleos em Cambyretá e Yerbalito, na parte norte do Iberá. Novas aves foram incorporadas, casais se estabeleceram e outras temporadas produziram filhotes, apesar de perdas provocadas pelos incêndios de 2022.
Até março de 2025, a fundação registrava 48 indivíduos na população do projeto. Naquele período, três filhotes haviam nascido, dez animais foram incorporados ao programa e outros dez foram libertados.
A sequência mostra como a recuperação avançou:
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Por que o retorno beneficia florestas e moradores?
A arara-vermelha transporta frutos e dispersa sementes grandes, ajudando na regeneração das matas. Sua presença também fortalece o turismo de observação e devolve ao país parte de seu patrimônio natural.
Moradores colaboram informando onde as aves aparecem em povoados e propriedades próximas. Reprodução, crescimento populacional e convivência com as comunidades indicam progresso, mas monitoramento e novas solturas continuam necessários para consolidar um grupo autossustentável.
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