Nova espécie foi encontrada a 4.000 metros abaixo da superfície da água durante um teste de mineração
O achado aconteceu em uma região onde poucas formas de vida são conhecidas
Uma pequena estrutura parecida com uma flor vive presa a pedras metálicas no fundo escuro do Pacífico. O coral Deltocyathus zoemetallicus foi descrito durante pesquisas ligadas à mineração em águas profundas. A espécie aparece em uma área extensa, mas não prosperou por causa do teste: ela depende dos nódulos que as máquinas pretendem retirar.
Qual nova espécie foi encontrada no fundo do Pacífico?
A nova espécie é um coral solitário chamado Deltocyathus zoemetallicus. Diferente dos recifes tropicais, cada exemplar vive sozinho e não depende da luz nem das algas que alimentam muitos corais de águas rasas.
O estudo publicado no Zoological Journal of the Linnean Society descreveu o coral em 2025. Exemplares foram encontrados presos a nódulos polimetálicos entre cerca de 4.115 e 4.700 metros de profundidade.

Como esse coral consegue viver a mais de 4.000 metros?
O coral se fixa sobre nódulos duros espalhados por um fundo formado principalmente por sedimento mole. Essas pedras funcionam como pequenas ilhas firmes, onde animais presos ao solo conseguem crescer.
As características principais são:
- Habitat: a espécie vive na Zona Clarion-Clipperton, entre o México e o Havaí.
- Suporte: os exemplares ficam presos aos nódulos polimetálicos.
- Escuridão: nenhuma luz solar chega ao fundo onde o coral vive.
- Alimentação: o animal captura pequenas partículas orgânicas presentes na água.
- Distribuição: os registros conhecidos cobrem cerca de 1.000 quilômetros.
Como foi realizado o teste de mineração?
O teste de 2022 usou uma máquina comercial para recolher nódulos no fundo do oceano. Ela passou sobre o sedimento a 4.280 metros de profundidade e retirou mais de 3.000 toneladas dessas pedras.
O estudo publicado na Nature Ecology & Evolution comparou dados de antes e depois da passagem:
- Inventário inicial: os cientistas registraram os animais antes do teste.
- Coleta: a máquina retirou nódulos e mexeu na camada superior do sedimento.
- Formação do rastro: o equipamento deixou uma faixa diretamente alterada.
- Nuvem de sedimento: partículas levantadas se espalharam para áreas próximas.
- Nova coleta: as amostras foram comparadas 2 meses depois da operação.
Que impacto o teste causou nos animais abissais?
O impacto direto foi uma queda de 37% na densidade de animais dentro dos rastros da máquina. A quantidade de espécies por amostra caiu 32% no mesmo local.
A Universidade de Gotemburgo informou que o estudo reuniu 4.350 animais e identificou 788 espécies:
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A nova espécie realmente prosperou por causa da mineração?
Não há prova de que o teste tenha ajudado a nova espécie. Os pesquisadores observaram maior densidade do coral onde nódulos pequenos cobriam quase todo o fundo, mas essas pedras já estavam presentes antes da passagem da máquina.
O próprio estudo alerta que o coral pode ser vulnerável em escala local. A retirada dos nódulos elimina o suporte usado pela espécie e cria um rastro que pode permanecer visível por décadas.
A descoberta mostra vida onde a mineração pretende trabalhar, não um benefício criado pela máquina.
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