Filho de pedreiro e de empregada doméstica, ele estudou sem cursinho na periferia de Salvador, prestou o Enem, e aos 23 anos foi o primeiro colocado em Medicina numa das faculdades mais disputadas do país, a mais de 1.500 quilômetros de casa

05.10.2026

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Filho de pedreiro e de empregada doméstica, ele estudou sem cursinho na periferia de Salvador, prestou o Enem, e aos 23 anos foi o primeiro colocado em Medicina numa das faculdades mais disputadas do país, a mais de 1.500 quilômetros de casa
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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 02.08.2026 17:18 comentários
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Filho de pedreiro e de empregada doméstica, ele estudou sem cursinho na periferia de Salvador, prestou o Enem, e aos 23 anos foi o primeiro colocado em Medicina numa das faculdades mais disputadas do país, a mais de 1.500 quilômetros de casa

Wesley de Jesus usou apostilas usadas, aulas gratuitas e provas antigas até liderar a seleção para um dos cursos mais disputados do país

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6 minutos de leitura 02.08.2026 17:18 comentários 1
Filho de pedreiro e de empregada doméstica, ele estudou sem cursinho na periferia de Salvador, prestou o Enem, e aos 23 anos foi o primeiro colocado em Medicina numa das faculdades mais disputadas do país, a mais de 1.500 quilômetros de casa
A emocionante jornada do jovem da periferia aprovado em primeiro lugar

Durante anos, Wesley de Jesus Batista estudou numa casa simples da periferia de Salvador, usando apostilas usadas, materiais doados e aulas gratuitas encontradas na internet. O dinheiro para um curso preparatório nunca esteve disponível. Quando abriu o resultado aos 23 anos, ele descobriu que não havia apenas conquistado uma vaga: seu nome aparecia no primeiro lugar de Medicina da USP em Ribeirão Preto.

Como Wesley começou a perseguir Medicina na USP sem ter dinheiro para cursinho?

Wesley cresceu na região de Cajazeiras, em Salvador, numa família em que nenhum dos pais havia chegado ao ensino superior. Sua mãe, Liliana Maria de Jesus, trabalhou como empregada doméstica, enquanto o pai, Djalma Souza Batista, atuava como pedreiro. Os dois vieram de comunidades do sertão baiano e criaram os quatro filhos numa casa ainda sem acabamento completo.

O desejo de ser médico surgiu ainda na infância, quando Wesley precisava procurar hospitais públicos por causa de um problema respiratório. Ele observava os profissionais circulando de jaleco e começou a imaginar-se naquela função. Anos depois, ao perceber que a família não conseguiria pagar um cursinho, decidiu montar sozinho o caminho até o Enem.

Leia também: O cofre escavado a mais de 100 metros no Ártico que guarda 1,4 milhão de amostras para salvar plantações

O que aconteceu quando o resultado mostrou o primeiro lugar?

A aprovação veio pela seleção que utiliza as notas do Enem para preencher vagas na Universidade de São Paulo. Ao consultar a lista, Wesley encontrou o próprio nome na primeira posição de Medicina em Ribeirão Preto. A comemoração gravada ao lado da família viralizou, transformando aquele momento particular numa história acompanhada por pessoas de diferentes partes do país.

  • Idade na aprovação: 23 anos
  • Origem: Periferia de Salvador
  • Formação escolar: Rede pública
  • Preparação: Sem cursinho particular
  • Resultado: Primeiro lugar em Medicina
  • Universidade: USP de Ribeirão Preto

O vídeo “Jovem baiano filho de doméstica e pedreiro é 1º colocado em Medicina na USP pelo Enem”, publicado pelo SBT News, apresenta a trajetória de Wesley e sua reação ao resultado. A reportagem também mostra como os livros doados, as aulas gratuitas e a ajuda de professores da escola pública formaram a estrutura de preparação que ele não podia comprar num cursinho tradicional.

Como cinco anos de estudo levaram Wesley à Medicina na USP?

Wesley passou aproximadamente cinco anos tentando alcançar a aprovação, seguindo uma rotina que começava por volta das 5 horas da manhã. Ele estabelecia metas diárias de assuntos, estudava até tarde e repetia o cronograma no dia seguinte. Em alguns momentos, o cansaço fazia com que adormecesse sobre os próprios livros, mas a preparação era retomada assim que acordava.

Os materiais vinham de diferentes lugares: apostilas usadas, livros doados, aulas no YouTube, provas antigas e conteúdos gratuitos. Sem computador próprio durante parte da preparação, ele recorreu a um celular antigo e aos equipamentos disponíveis na escola. O diretor Manoel Menezes chegou a separar provas antigas do Enem guardadas pela instituição para que o estudante pudesse treinar.

Quais números mostram o tamanho da conquista e da mudança?

O primeiro lugar encerrou uma preparação de cinco anos, mas abriu uma etapa ainda mais extensa. O curso da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP é integral, dura seis anos e possui cerca de 9 mil horas na grade curricular. Além disso, a mudança entre Salvador e Ribeirão Preto representa uma viagem rodoviária superior a 1,7 mil quilômetros.

Da preparação em Salvador à formação médica
5 anos Período de preparação por conta própria
23 anos Idade em que conquistou o primeiro lugar
Mais de 1.700 km Distância rodoviária aproximada até Ribeirão Preto
6 anos Duração ideal da graduação em Medicina
9 mil horas Carga horária informada na estrutura do curso

A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto admite aproximadamente 100 estudantes por ano, considerando as diferentes formas de ingresso. A graduação ocorre em período integral e combina conteúdos científicos, práticas clínicas e uma etapa final de internato supervisionado, tornando difícil conciliar a formação com um emprego regular fora da universidade.

Por que sair de Salvador virou um novo desafio depois da aprovação?

A distância colocou diante da família uma dificuldade que a nota do Enem não resolveria sozinha. Wesley precisava pagar transporte, moradia, alimentação e os primeiros custos da instalação no interior de São Paulo. Na época da aprovação, ele havia visitado o estado somente duas vezes e admitia sentir alegria pela oportunidade, mas também insegurança diante de uma realidade completamente nova.

Para reunir recursos iniciais, o estudante abriu uma campanha de arrecadação e recebeu apoio de pessoas que conheceram sua história pelas redes sociais. A USP mantém mecanismos de permanência para estudantes de baixa renda, incluindo auxílios relacionados a alimentação e moradia, mas o intervalo entre a aprovação, a mudança e a concessão dos benefícios ainda exigia planejamento financeiro.

A rotina intensa com apostilas doadas e aulas gratuitas pela internet
A rotina intensa com apostilas doadas e aulas gratuitas pela internet

Que médico ele pretende se tornar depois de entrar em Medicina na USP?

Wesley afirmou que pretende construir uma carreira marcada por valores humanos, atenção aos pacientes e defesa do sistema público de saúde. A escolha está ligada à experiência que teve como paciente desde a infância: foi em unidades públicas, observando o atendimento recebido, que começou a enxergar a Medicina como uma forma possível de devolver algo à sociedade.

A trajetória não apaga as diferenças entre quem consegue pagar preparação particular e quem precisa procurar materiais usados ou estudar num celular. Ao contrário, evidencia como o esforço pessoal produziu resultado quando encontrou apoio familiar, professores dispostos a ajudar, recursos gratuitos e uma política de acesso à universidade. Wesley tornou-se o primeiro de sua família no ensino superior e passou a carregar uma responsabilidade que ele próprio reconhece: mostrar a outros estudantes da periferia que a universidade pública também pode fazer parte de seus planos.

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Comentários (1)

Mariad

02.08.2026 18:03

Historia maravilhosa de superação. Que muitos outros estudantes sigam seu exemploe sintam que não é impossível. Paraéns, Wesley.


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