Experimento de Michigan indica: caminhar 50 minutos entre árvores melhorou a memória em cerca de 20%. A caminhada no centro da cidade, não
Estudo de Michigan mostra que caminhar 50 minutos entre árvores melhorou a memória em cerca de 20%
Um experimento da Universidade de Michigan indica que caminhar cerca de 50 minutos entre árvores melhorou a memória dos participantes em cerca de 20%. A mesma caminhada no centro da cidade não teve esse efeito.
O que o experimento de Michigan testou sobre natureza e memória?
Marc Berman, John Jonides e Stephen Kaplan publicaram, em 2008 na revista Psychological Science, o estudo “The Cognitive Benefits of Interacting With Nature”.
Os participantes caminharam por cerca de 50 minutos, num grupo pelo arboreto da própria universidade e noutro grupo pelo centro urbano de Ann Arbor, cidade onde fica o campus.

Por que caminhar entre árvores funcionou e caminhar na cidade não?
Depois da caminhada, os participantes fizeram um teste de memória de trabalho, repetindo sequências de números de trás para frente. Só quem caminhou entre árvores teve melhora relevante nesse teste, próxima de 20%.
Quem caminhou pelo centro urbano não apresentou o mesmo ganho, mesmo com duração e esforço físico semelhantes entre os dois grupos.
O que é a teoria da restauração da atenção?
A explicação proposta pelos autores se chama teoria da restauração da atenção, do psicólogo Stephen Kaplan. Ambientes naturais capturam a atenção de forma quase automática e pouco exigente.
O impacto do experimento de 2008 na pesquisa sobre natureza e cérebro nas décadas seguintes.
2.100+
citações acadêmicas acumuladas pelo estudo de Berman, Jonides e Kaplan desde a publicação
Esse tipo de estímulo “sem esforço” dá descanso para a atenção dirigida, a mesma que gastamos concentrados em tarefas, telas e decisões o dia inteiro.
Esse resultado vale para qualquer pessoa, em qualquer lugar?
O próprio estudo tem limitações que valem menção: as amostras dos experimentos originais eram pequenas, cerca de duas dezenas de pessoas por grupo, e o efeito medido foi sobre atenção e memória de trabalho, não um tratamento para nenhuma condição clínica.
Meta-análises posteriores apoiam um efeito moderado da natureza sobre cognição, então a forma mais honesta de descrever isso é dizer que “estudos apontam” esse benefício, não afirmá-lo como regra fechada.

Como aplicar essa “caminhada restauradora” no dia a dia?
Para reproduzir o efeito medido no experimento, três regras práticas ajudam a estruturar a própria caminhada:
- Deixar o celular guardado durante o percurso, evitando outra fonte de atenção dirigida.
- Manter ritmo calmo, sem pressa, para permitir que a atenção realmente descanse.
- Buscar verde de verdade, como parques ou trilhas, não apenas fotos ou vídeos de natureza.
Esse mesmo cuidado com o que a ciência prova e o que ainda é hipótese já apareceu quando comparamos bilinguismo e o atraso nos sintomas da demência.

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)