Procuradoria da Bolívia expede mandado de prisão contra Evo Morales
Ex-presidente é acusado de liderar bloqueios que paralisaram o país por 53 dias
A Procuradoria-Geral da Bolívia expediu um mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales pelos crimes de terrorismo, insurreição armada e outros relacionados aos bloqueios que paralisaram o país por 53 dias.
No documento, o órgão determina que a polícia prenda Morales e o encaminhe à Unidade Especializada de Polícia de Combate à Corrupção.
A investigação teve origem em uma denúncia apresentada em 1º de julho pelo Comitê Pró-Santa Cruz, que acusou o ex-presidente de liderar ações que resultaram na paralisação do país.
Em publicação no X, Morales reagiu ao mandado de prisão.
“Eles não nos intimidarão. Continuaremos lutando ao lado do povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente: um caminho de dignidade, soberania, justiça social e restauração da esperança para todos”.
Protestos
Durante sete semanas, grupos ligados a Morales montaram mais de 100 bloqueios em diferentes regiões, principalmente nos departamentos de La Paz, Cochabamba e Santa Cruz.
As manifestações exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz, considerada pelos setores mobilizados como a única solução para a crise política.
Os bloqueios provocaram grave desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio medicinal em diversas cidades.
As interrupções no tráfego e o fechamento de rodovias resultaram na morte de pelo menos 22 pessoas e deixaram outras 88 feridas, segundo dados da Ouvidoria boliviana e relatos de organizações cívicas e sociais.
As perdas econômicas superaram US$ 3 bilhões. Setores como o produtivo, especialmente em Santa Cruz, sofreram fortes impactos, com mercadorias retidas nas áreas de produção e dificuldades de transporte para outras regiões do país, agravando a crise de abastecimento.
Confrontos entre manifestantes e forças de segurança, além de episódios de tensão social, marcaram os 53 dias de bloqueios.
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