O livro de 600 anos com 234 páginas que nem os maiores criptógrafos conseguiram decifrar
Escrito por várias mãos e repleto de plantas irreconhecíveis, o volume medieval permanece sem uma única tradução aceita
As páginas parecem pertencer a um livro de botânica, medicina ou astronomia medieval, mas nenhuma dessas classificações consegue explicar tudo o que aparece ali. Entre plantas irreconhecíveis, círculos celestes e milhares de palavras indecifráveis, o volume preserva um segredo que atravessou aproximadamente seis séculos.
Por que o Manuscrito Voynich parece um livro de outro mundo?
O volume conhecido oficialmente como Beinecke MS 408 possui 234 páginas de pergaminho preservadas, algumas delas dobráveis e maiores que o restante do livro. Quase todas estão cobertas por uma escrita fluida, formada por símbolos que se repetem como palavras e frases, embora não correspondam de maneira comprovada a nenhum alfabeto conhecido.
As ilustrações aumentam o mistério. Muitas plantas possuem raízes, folhas e flores combinadas de maneiras que impedem uma identificação segura; outras páginas mostram mulheres em piscinas verdes, tubos interligados, rodas zodiacais e grandes diagramas circulares. A aparência sugere um manual organizado, mas ninguém conseguiu demonstrar o que suas instruções ou descrições significam.
O que existe dentro do Manuscrito Voynich?
A Biblioteca Beinecke da Universidade Yale, responsável pela conservação do original, divide o conteúdo visual em seis grandes conjuntos. Essa organização mostra que o livro não foi preenchido com desenhos distribuídos aleatoriamente: as imagens e os formatos das páginas mudam de acordo com assuntos aparentemente diferentes.
- Plantas desenhadas individualmente
- Mapas astronômicos e astrológicos
- Figuras humanas em banhos e piscinas
- Medalhões e diagramas cosmológicos
- Raízes, folhas e recipientes farmacêuticos
- Pequenos textos semelhantes a receitas
O vídeo da Biblioteca Beinecke reúne a medievalista Lisa Fagin Davis e pesquisadores que estudam a escrita, a fabricação e a organização física do livro. A conversa mostra páginas ampliadas, diferenças entre os possíveis escribas e as razões pelas quais uma tradução convincente precisa funcionar no manuscrito inteiro, e não apenas em algumas palavras escolhidas.
Como os cientistas descobriram que o livro tem cerca de 600 anos?
Em 2009, pesquisadores retiraram quatro pequenos fragmentos das margens de páginas que não haviam passado por reparos significativos. A datação por carbono-14 realizada na Universidade do Arizona colocou a fabricação do pergaminho entre 1404 e 1438, indicando que o material pertence ao início do século XV.
A análise não determina o dia em que as palavras foram escritas, pois mede a idade da pele animal usada para produzir as folhas. Mesmo assim, os quatro resultados foram consistentes, e os pigmentos encontrados também correspondem a materiais disponíveis durante o período renascentista. Isso tornou muito mais difícil sustentar que o livro teria sido fabricado por um falsificador moderno.
Quais pistas mantêm o texto entre código e linguagem?
Os símbolos não aparecem de maneira completamente aleatória. Existem grupos separados por espaços, combinações que surgem com maior frequência e diferenças de vocabulário entre as seções ilustradas. Pesquisas estatísticas encontraram propriedades compatíveis com textos produzidos em línguas naturais, embora essas semelhanças não revelem qual idioma estaria escondido.
| Palavras repetidas | Seguem padrões, mas de forma incomum |
| Vocabulários distintos | Certos termos se concentram em seções específicas |
| Cinco mãos | A escrita apresenta diferenças atribuídas a vários escribas |
| Nenhuma tradução | Ainda não existe leitura reproduzível do conjunto |
A análise paleográfica também identificou características associadas a cinco pessoas trabalhando no texto. Essa colaboração sugere uma produção planejada e trabalhosa, possivelmente realizada por uma comunidade, oficina ou grupo de estudiosos. Ainda assim, múltiplos escribas não provam que as palavras possuam significado: também seria possível copiar ou produzir um sistema artificial de maneira organizada.
Por que o Manuscrito Voynich venceu grandes criptógrafos?
Entre os especialistas que tentaram compreender a escrita estava William F. Friedman, um dos principais nomes da criptologia norte-americana e integrante do esforço que decifrou códigos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Friedman, sua esposa Elizebeth e outros pesquisadores dedicaram anos ao problema, mas não conseguiram produzir uma chave capaz de converter o texto em uma mensagem verificável. Documentos sobre essas tentativas foram posteriormente preservados e liberados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
O desafio começa antes mesmo da decodificação. Não se sabe se os símbolos representam letras, sílabas, sons, números ou instruções gráficas; também não há uma tradução paralela, como ocorreu com a Pedra de Roseta. Sem conhecer o idioma original, o sistema de escrita ou o assunto exato de cada trecho, quase qualquer tentativa exige uma sequência de suposições difíceis de testar.

O livro pode ser uma fraude sem mensagem alguma?
Uma das hipóteses afirma que o texto pode ter sido criado para parecer importante sem transmitir conteúdo real. Pesquisadores demonstraram que tabelas de fragmentos e grades disponíveis na Renascença poderiam gerar palavras aparentemente estruturadas. O experimento mostra que uma fraude elaborada era tecnicamente possível, mas não prova que esse foi o método utilizado no volume.
Outros estudos observam que a distribuição das palavras, a divisão temática e as variações entre seções lembram uma linguagem com organização interna. Por enquanto, nenhum dos lados conseguiu explicar simultaneamente a escrita, as imagens e toda a estrutura do livro. A própria Yale não reconhece nenhuma das traduções anunciadas ao longo dos anos, e o texto continua oficialmente sem decifração.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)