Rede com 200 lojas não consegue sair da falência e dispensa 8.800 trabalhadores após quase 70 anos
A empresa tentou reduzir custos e mudar o catálogo, mas concorrência, recessão e vendas fracas tornaram a liquidação inevitável.
A rede com 200 lojas tentou permanecer aberta durante a recuperação judicial, mas a queda das vendas encerrou a última tentativa. A Service Merchandise liquidou estoques, fechou todas as unidades em 2002 e dispensou cerca de 8.800 trabalhadores após quase sete décadas.
Qual era a rede com 200 lojas que entrou em liquidação?
A empresa era a Service Merchandise, varejista norte-americana especializada em joias, presentes, artigos domésticos e pequenos eletrodomésticos. Sua história começou em 1934, quando Harry e Mary Zimmerman abriram uma pequena loja no Tennessee.
Nas décadas seguintes, a companhia cresceu com o formato de showroom por catálogo. No auge, manteve mais de 400 unidades em dezenas de estados e alcançou vendas anuais superiores a US$ 4 bilhões antes de iniciar um longo processo de retração.

Como a empresa tentou continuar aberta durante a falência?
A Service Merchandise entrou no Chapter 11 em março de 1999. Esse mecanismo permitia reorganizar dívidas e manter as atividades enquanto a administração negociava com credores, fornecedores e proprietários dos imóveis ocupados pelas lojas.
A companhia fechou pontos deficitários, reduziu equipes e abandonou categorias como eletrônicos e brinquedos. O plano passou a concentrar a operação em joias, presentes e decoração, produtos considerados mais compatíveis com o modelo de showroom e com margens melhores.
Por que a rede com 200 lojas não conseguiu se recuperar?
As vendas continuaram insuficientes para cobrir os custos da operação. Grandes redes de desconto ofereciam variedade, preços competitivos e retirada imediata, enquanto lojas especializadas avançavam sobre categorias que antes ajudavam a atrair consumidores para a Service Merchandise.
A recessão norte-americana e os efeitos econômicos dos atentados de 11 de setembro de 2001 enfraqueceram ainda mais a demanda. Sem recuperação consistente, a empresa concluiu que manter as lojas abertas consumiria recursos sem oferecer uma saída viável.
Os principais fatores que bloquearam a reorganização foram estes:
Como o fechamento atingiu 8.800 trabalhadores?
Em janeiro de 2002, a companhia anunciou que fecharia as 200 lojas restantes. Cerca de 8.300 empregados trabalhavam nas unidades, e aproximadamente metade dos mil funcionários corporativos também perderia os postos após a conclusão das vendas de liquidação.
O Los Angeles Times registrou o encerramento e informou que a liquidação começaria em 19 de janeiro. A operação dependia da aprovação do Tribunal de Falências do Distrito Médio do Tennessee e deveria terminar durante a primavera norte-americana.
Por que o modelo de showroom perdeu espaço?
No sistema usado pela rede, o consumidor observava amostras, consultava catálogos e solicitava o produto, que era buscado no estoque. O formato permitia expor grande variedade, mas acrescentava etapas quando comparado à retirada direta das prateleiras.
Com concorrentes mais simples e o avanço do comércio eletrônico, o modelo perdeu parte de sua vantagem. A própria Service Merchandise vendeu pela internet, mas o canal digital não compensou o enfraquecimento das lojas físicas nem os custos acumulados durante a reestruturação.
Os números mostram a diferença entre o auge e o encerramento:
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O que aconteceu com a marca depois do fechamento?
A Service Merchandise encerrou todas as lojas físicas em 2002. Posteriormente, o nome foi reaproveitado em uma operação de comércio eletrônico, separada da antiga rede nacional e sem a mesma estrutura de showrooms.
O colapso mostrou que permanecer no Chapter 11 não garante recuperação. A proteção judicial ofereceu tempo para reduzir custos e testar um novo foco, mas não reverteu a queda das vendas nem criou recursos suficientes para manter centenas de lojas abertas.
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