Ave extinta na natureza há quase 40 anos põe os primeiros ovos longe das grades e surpreende conservacionistas
Uma etapa delicada começa a mostrar resultados fora dos viveiros
Durante décadas, uma pequena ave colorida sobreviveu apenas sob cuidados humanos. A volta desta ave extinta a uma floresta aberta começou como um teste cercado de dúvidas. Meses depois, comportamentos que não eram observados livremente desde os anos 1980 mostraram que seus instintos continuavam vivos.
Qual ave voltou a colocar ovos na natureza?
A ave é o sihek, também chamado de martim-pescador-de-guam. Ela possui peito alaranjado, asas azuis e um bico forte usado para capturar lagartos, aranhas, besouros e pequenos caranguejos.
A The Nature Conservancy informou que 3 casais colocaram ovos no Atol Palmyra. Foram os primeiros ovos produzidos livremente pela espécie em quase 40 anos.

Por que o sihek desapareceu da natureza?
O sihek desapareceu após a chegada acidental da cobra-arbórea-marrom a Guam. A serpente se espalhou pela ilha e atacou aves que não haviam evoluído ao lado desse predador.
As informações do programa de conservação da Zoological Society of London e do U.S. Fish and Wildlife Service mostram o tamanho da perda:
Como as aves voltaram a viver longe das grades?
As aves voltaram por meio de uma soltura experimental no Atol Palmyra, uma área protegida do Pacífico com poucos predadores terrestres. O lugar foi escolhido para testar a sobrevivência antes de um possível retorno futuro a Guam.
O processo aconteceu em etapas:
- Criação: filhotes nasceram em instituições ligadas ao programa internacional.
- Transporte: 9 aves chegaram ao atol em agosto de 2024.
- Adaptação: elas permaneceram temporariamente em viveiros instalados na ilha.
- Soltura: os primeiros indivíduos saíram para a floresta em setembro de 2024.
- Rastreamento: pequenos transmissores permitiram acompanhar movimentos e territórios.
- Reprodução: os casais escavaram ninhos em árvores e começaram a colocar ovos.
Os primeiros ovos produziram filhotes?
Os primeiros ovos ainda não produziram filhotes. A atualização publicada pelo U.S. Fish and Wildlife Service informa que nenhum deles nasceu, algo esperado em casais jovens durante as primeiras tentativas.
Mesmo sem filhotes, a experiência reuniu sinais importantes:
Por que Palmyra não é o destino final da espécie?
Palmyra é uma etapa porque o objetivo de longo prazo continua sendo devolver o sihek a Guam. Isso só poderá ocorrer quando a ameaça das cobras invasoras estiver controlada o bastante para não destruir novamente a população.
Enquanto isso, o programa pretende formar ao menos 10 casais reprodutores no atol. Os primeiros ovos não completaram o ciclo, mas provaram que uma ave criada atrás de grades ainda sabia procurar território, construir ninho e tentar recomeçar.
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