Após 130 anos, recuperação de espécie emblemática na América Latina emociona pesquisadores
A espécie emblemática registrada no Pampa mostra como a restauração de habitats pode ultrapassar fronteiras nacionais. O animal é o tamanduá-bandeira, visto novamente no Rio Grande do Sul após cerca de 130 anos sem confirmação em registros oficiais. Qual espécie emblemática reapareceu após cerca de 130 anos? A espécie é o tamanduá-bandeira, ou Myrmecophaga tridactyla,...
A espécie emblemática registrada no Pampa mostra como a restauração de habitats pode ultrapassar fronteiras nacionais. O animal é o tamanduá-bandeira, visto novamente no Rio Grande do Sul após cerca de 130 anos sem confirmação em registros oficiais.
Qual espécie emblemática reapareceu após cerca de 130 anos?
A espécie é o tamanduá-bandeira, ou Myrmecophaga tridactyla, maior representante vivo dos tamanduás. O mamífero possui focinho alongado, garras fortes e cauda volumosa, além de uma dieta formada principalmente por formigas e cupins.
O tamanduá-bandeira ocupa campos, savanas, áreas úmidas e formações florestais abertas da América do Sul. Apesar da ampla distribuição histórica, desapareceu de diversas regiões por perda de habitat, caça, incêndios e atropelamentos.

Onde o animal voltou a ser registrado no Brasil?
O registro ocorreu no Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí, no extremo oeste do Rio Grande do Sul. Uma armadilha fotográfica captou o animal em junho de 2023, e novas imagens foram obtidas nos meses seguintes.
O governo do Rio Grande do Sul informou que a espécie era considerada extinta no estado havia aproximadamente 130 anos. Os registros confirmam ao menos um indivíduo, mas não provam que já exista uma população estabelecida no território gaúcho.
Como a recuperação começou nos Esteros del Iberá?
A recuperação regional ganhou força em 2007, quando começou um programa de reintrodução nos Esteros del Iberá, na província argentina de Corrientes. A espécie havia desaparecido da região em meados do século XX, após caça e transformação dos ambientes naturais.
Grande parte dos animais levados ao projeto era formada por filhotes órfãos resgatados em outras províncias argentinas. Eles passaram por avaliação veterinária, quarentena, adaptação e monitoramento antes e depois das solturas em áreas protegidas.
O processo de reintrodução envolve etapas sucessivas:
Quais números mostram o avanço da espécie?
O primeiro casal foi solto em Iberá em 2007. Em 2021, o parque estimava mais de 200 tamanduás-bandeira vivendo em liberdade, incluindo filhos e netos nascidos no ambiente natural, sinal de que o projeto deixou de depender apenas de novas liberações.
Registros posteriores indicaram animais em áreas situadas a até 200 quilômetros dos pontos de soltura. Esse deslocamento mostra capacidade de dispersão, mas não significa que a espécie esteja recuperada de maneira uniforme no Brasil, na Argentina ou no restante da América Latina.
Os dados ajudam a separar recuperação regional de expansão continental:
O que o reaparecimento revela sobre os corredores ecológicos?
O retorno ao Espinilho sugere que áreas protegidas e propriedades rurais ainda permitem deslocamentos entre Corrientes e o oeste gaúcho. Para chegar ao parque, o animal precisa atravessar paisagens com alimento, abrigo e pressão humana suficientemente baixa.
Esse movimento transforma a fronteira política em uma questão secundária para a fauna. A permanência depende de corredores ecológicos, campos nativos, controle da caça e redução de atropelamentos, não apenas de uma unidade de conservação isolada.
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Por que o tamanduá-bandeira ainda precisa de proteção?
O reaparecimento não significa que a espécie deixou de enfrentar ameaças. Incêndios, perda de vegetação nativa, rodovias, cães, caça e uso inadequado do solo podem interromper a dispersão e eliminar indivíduos antes da formação de uma população local.
A recuperação emociona porque mostra uma extinção regional sendo parcialmente revertida após mais de um século. Ainda assim, o resultado permanece frágil: será necessário confirmar reprodução no Rio Grande do Sul e manter a conexão entre habitats para transformar visitas ocasionais em retorno duradouro.
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