Justiça prorroga prisão de vereador do PT suspeito de elo com PCC
Juiz cita "posição de comando" de Senival Moura e risco de interferência nas investigações
A Justiça de São Paulo prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do vereador Senival Moura (afastado do PT), investigado na Operação Última Parada, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no sistema de transporte público da capital paulista. A decisão é do juiz Luiz Nelson Augusto Bernardes de Souza.
Preso desde 25 de junho, Senival é apontado pelo Ministério Público como um dos responsáveis pela exploração econômica de parte da frota da Transunião Transportes S.A., empresa que, segundo a investigação, teria sido utilizada para movimentar e ocultar recursos da facção criminosa.
“Posição de comando”
Ao manter a prisão, o magistrado afirmou que a suposta “posição de comando” exercida por Senival na estrutura investigada justifica a medida.
Segundo a decisão, a soltura poderia comprometer a coleta de depoimentos de familiares, sócios e outros integrantes do grupo que ainda serão ouvidos.
A investigação segue em andamento e envolve a análise de celulares, computadores, documentos e registros financeiros apreendidos durante a operação. Na avaliação do magistrado, a complexidade das diligências exige a manutenção das prisões temporárias.
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Investigação
As investigações apontam que Senival seria o explorador econômico de 13 ônibus da Transunião, patrimônio que estaria ocultado por meio de terceiros e da própria empresa.
A Polícia Civil também identificou movimentações financeiras de R$ 8,6 milhões entre 2019 e 2022, sendo R$ 2,3 milhões sem origem declarada, além de uma evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos do vereador.
A defesa pediu a substituição da prisão por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, mas o pedido foi rejeitado. O magistrado entendeu que as alternativas não seriam suficientes para preservar a produção de provas.
Apesar de manter a prisão, o juiz determinou que a unidade prisional providencie, em até 24 horas, exames, tratamentos e acompanhamento médico compatíveis com o estado de saúde do vereador. A direção do presídio deverá informar à Justiça as medidas adotadas.
Em nota, a defesa afirmou receber a decisão “com profunda irresignação por entender que não foram apresentados elementos concretos, contemporâneos e individualizados capazes de demonstrar a efetiva imprescindibilidade da medida” e informou que recorrerá para tentar restabelecer a liberdade do parlamentar.
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