O túnel japonês escavado sob o oceano para impedir que uma antiga tragédia marítima se repetisse

08.11.2026

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O túnel japonês escavado sob o oceano para impedir que uma antiga tragédia marítima se repetisse
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5 minutos de leitura 26.07.2026 00:43 comentários
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O túnel japonês escavado sob o oceano para impedir que uma antiga tragédia marítima se repetisse

A passagem ferroviária de 53,85 quilômetros atravessa o estreito de Tsugaru em uma rota escondida sob o fundo do mar

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O túnel japonês escavado sob o oceano para impedir que uma antiga tragédia marítima se repetisse
Túnel ferroviário escavado sob o oceano conecta duas grandes ilhas do Japão

Em setembro de 1954, um tufão transformou a travessia entre duas grandes ilhas japonesas em uma das piores tragédias marítimas do país. Décadas depois, os trens passaram a percorrer aquele mesmo caminho por uma rota que não aparece na paisagem: uma passagem ferroviária escavada profundamente sob o fundo do mar.

Por que o Túnel Seikan foi construído entre duas ilhas japonesas?

O Túnel Seikan liga Honshu, a principal ilha do Japão, a Hokkaido, no extremo norte do arquipélago. A estrutura atravessa o estreito de Tsugaru, uma faixa de mar conhecida por mudanças rápidas no tempo, correntes intensas, nevoeiros e tempestades capazes de interromper a navegação.

Antes do túnel, passageiros, cargas e vagões ferroviários dependiam de balsas para completar a travessia. Os estudos de uma ligação subterrânea já existiam, mas o naufrágio de uma dessas embarcações expôs de maneira brutal a vulnerabilidade do sistema e tornou o projeto muito mais urgente.

Leia também: O vulcão que cobriu continentes de cinzas e colocou a sobrevivência humana no limite há 74 mil anos

Qual tragédia acelerou a construção do Túnel Seikan?

Em 26 de setembro de 1954, o ferry ferroviário Tōya Maru deixou Hakodate durante a passagem de um tufão. A embarcação enfrentou ventos violentos e ondas que comprometeram seus sistemas. Pouco depois, perdeu o controle, encalhou e virou perto da costa, provocando a morte de mais de 1.100 pessoas.

  • O Tōya Maru transportava passageiros e vagões ferroviários
  • A embarcação operava entre Hakodate e Aomori
  • O acidente aconteceu durante um tufão no estreito de Tsugaru
  • Outros ferries também naufragaram durante a mesma tempestade
  • A tragédia ampliou a pressão por uma ligação ferroviária permanente

O vídeo “STILL the World’s Deepest Undersea Train Line”, do canal Japan Railway Journal, apresenta a história e a engenharia da passagem ferroviária construída sob o estreito de Tsugaru.

A catástrofe não criou sozinha a ideia do túnel, pois levantamentos geológicos já estavam sendo realizados antes de 1954. Ela mudou, contudo, a percepção pública sobre o projeto. A ligação deixou de parecer apenas uma obra ambiciosa de infraestrutura e passou a ser vista como uma alternativa capaz de reduzir a dependência de travessias marítimas vulneráveis ao clima.

Como os engenheiros descobriram um caminho seguro sob o mar?

Escavar diretamente sem conhecer o terreno seria arriscado demais. Sob o estreito havia rochas fraturadas, falhas geológicas e camadas capazes de permitir a entrada de grandes volumes de água. Os engenheiros realizaram sondagens, levantamentos sísmicos e perfurações exploratórias para compreender o que encontrariam sob o leito marinho.

Uma galeria piloto foi aberta antes do túnel ferroviário principal. Ela ajudava a testar a resistência das rochas, identificar infiltrações e orientar os trabalhos seguintes. Em vários pontos, equipes injetaram cimento e outros materiais nas fissuras para consolidar o terreno antes que a escavação avançasse.

O que existe entre os trilhos e o fundo do oceano?

O percurso completo possui 53,85 quilômetros, mas apenas uma parte fica diretamente sob o leito marítimo. O ponto mais profundo está aproximadamente 240 metros abaixo da superfície do mar. Entre os trilhos e a água ainda existe uma espessa camada de rocha, responsável por proteger a estrutura contra a pressão externa.

Trecho observado Medida aproximada O que o número revela
Extensão total 53,85 km Inclui as aproximações terrestres em Honshu e Hokkaido
Seção sob o leito marinho 23,3 km É a parte localizada diretamente abaixo do estreito de Tsugaru
Maior profundidade 240 m Distância vertical entre o ponto mais baixo e a superfície do mar
Abertura ferroviária 1988 Marca o início da ligação regular por trilhos entre as duas ilhas

Os números divulgados pelo Web Japan ajudam a desfazer uma imagem comum: os trens não circulam por um tubo exposto dentro do oceano. O corredor foi escavado no interior do maciço rochoso, abaixo do fundo do mar, com sistemas permanentes de drenagem, ventilação, monitoramento e acesso técnico.

Quais obstáculos quase interromperam o Túnel Seikan?

A água foi o adversário mais persistente. Em certos setores, as perfurações encontraram rocha tão frágil que a pressão marítima abriu caminhos para infiltrações volumosas. Houve alagamentos, desmoronamentos localizados, atrasos e necessidade de alterar métodos de escavação durante a obra.

Em vez de depender apenas de grandes tuneladoras, os trabalhadores avançaram com perfurações, explosivos controlados e consolidação do solo. Uma galeria de serviço paralela auxiliava na drenagem e permitia chegar às áreas de trabalho. O projeto levou cerca de duas décadas de construção contínua até a abertura ferroviária, em março de 1988.

Tempestades violentas no estreito motivaram a criação da rota subterrânea
Tempestades violentas no estreito motivaram a criação da rota subterrânea

Como os trens conseguem atravessar essa passagem atualmente?

O túnel recebeu inicialmente trens convencionais de passageiros e composições de carga. Com a expansão do Hokkaido Shinkansen, inaugurado nesse trecho em 2016, a via foi adaptada para acomodar bitolas diferentes. Assim, trens-bala e cargueiros podem utilizar a mesma ligação, embora operem sob regras específicas de velocidade e programação.

A travessia subterrânea não eliminou todos os desafios de transporte entre Honshu e Hokkaido, mas criou uma rota ferroviária contínua e protegida das tempestades da superfície. O que começou como uma resposta à fragilidade das balsas tornou-se uma das obras mais marcantes da engenharia japonesa, escondida sob águas que um dia mostraram o custo de depender exclusivamente do mar.

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