Após 40 dias reaprendendo a voar, três sobreviventes deixam os viveiros e emocionam equipes no retorno à natureza
Tratamentos diferentes reuniram três aves no mesmo viveiro antes de uma etapa decisiva cercada por cuidado e expectativa.
O retorno dos periquitos-maracanã encerrou uma recuperação que começou em momentos diferentes para cada ave. Dois filhotes e um adulto receberam cuidados específicos antes de passar 40 dias em viveiro, recuperar movimentos naturais e voltar a uma área adequada à espécie.
Quais animais deixaram os viveiros após a recuperação?
Os três animais são periquitos-maracanã da espécie Psittacara leucophthalmus, atendidos pelo Centro de Controle Animal de Guaíra, no Paraná. Dois filhotes chegaram à unidade em janeiro, enquanto o exemplar adulto foi recebido em abril.
A soltura foi anunciada pelo município em junho de 2026. O ponto exato não foi divulgado, uma medida que ajuda a proteger os animais, mas a equipe informou que escolheu um ambiente compatível com as necessidades naturais da espécie.

Como o tratamento foi adaptado para cada uma das aves?
Os filhotes ainda dependiam de auxílio para comer e receberam alimentação por sonda esofágica cinco vezes ao dia. Pesagens diárias permitiram acompanhar o desenvolvimento, o ganho de peso e o momento em que começaram a se alimentar sem ajuda.
O adulto enfrentava outra dificuldade e passou por tratamento para recuperar massa muscular. Depois da etapa clínica, as três aves seguiram juntas para um viveiro maior, onde começaram a fase de preparação física e comportamental para a liberdade.
O que aconteceu durante os 40 dias de adaptação?
O viveiro funcionou como uma transição entre o atendimento veterinário e a natureza. Nesse período, as aves aperfeiçoaram o voo, fortaleceram a musculatura e voltaram a lidar com alimentos semelhantes aos encontrados fora do centro de recuperação.
A equipe observou se elas conseguiam ganhar altura, pousar com controle, deslocar-se pelo recinto e comer sozinhas. Somente após apresentarem condições adequadas para sobreviver sem assistência, os três periquitos foram autorizados a deixar a estrutura.
As etapas principais da recuperação foram:
Por que voo e alimentação precisam ser avaliados antes da soltura?
Voar não significa apenas bater as asas. Uma ave livre precisa escapar de ameaças, acompanhar grupos, alcançar árvores, controlar o pouso e percorrer distâncias sem perder rapidamente a força, habilidades que podem diminuir após lesões ou longos períodos de imobilidade.
A alimentação também precisa ocorrer sem contato humano. Aves dependentes de comida oferecida por pessoas podem não reconhecer recursos disponíveis no ambiente e ainda se aproximar de áreas urbanas, aumentando o risco de acidentes, recaptura ou ataques.
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Todo animal silvestre resgatado consegue voltar à natureza?
Não. Lesões permanentes, dependência de seres humanos ou muitos anos em cativeiro podem impedir uma soltura segura. Nesses casos, o destino precisa ser definido pelos órgãos ambientais, que podem encaminhar o animal para instituições autorizadas e preparadas para mantê-lo.
A Prefeitura de Guaíra informou que os três periquitos cumpriram os critérios necessários para o retorno. A espécie pertence à família dos psitacídeos e ajuda a espalhar sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação.
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