Jornalista é solto na Turquia após 25h detido
Alican Uludag deixou custódia policial em Ancara nesta quarta-feira, sob restrição judicial, na segunda detenção em menos de um ano
Um jornalista da Deutsche Welle foi liberado nesta quarta-feira, 22, após permanecer cerca de 25 horas sob custódia policial em Ancara, capital da Turquia. Alican Uludag havia sido detido na terça-feira, 21, sob suspeita de “incitação ao ódio e à hostilidade” e de disseminar informações falsas.
O repórter publicou críticas ao Judiciário turco em rede social. A soltura ocorreu sob supervisão judicial, com restrições de movimento impostas pela Justiça. A detenção desta semana marca a segunda vez que Uludag é preso pelas autoridades turcas em menos de doze meses.
Em fevereiro, ele já havia sido detido sob acusações de divulgar informações enganosas, insultar o presidente Recep Tayyip Erdogan e ofender instituições do país. Naquele caso, permaneceu em prisão preventiva até 21 de maio, quando obteve liberdade condicional.
As acusações de fevereiro tinham origem em uma publicação feita por Uludag no X quase dois anos antes, na qual ele questionava decisões do governo turco que levaram à soltura de suspeitos ligados ao grupo Estado Islâmico, além de apontar supostos casos de corrupção. Na Turquia, ofender o presidente é tipificado como crime.
Como parte da nova decisão judicial, Uludag ficou proibido de deixar o país e deve comparecer à delegacia quatro vezes por semana. O jornalista atua na cobertura de temas sensíveis, como violações de direitos humanos, corrupção e processos judiciais de repercussão.
Reações e cenário da imprensa turca
A diretora-geral da DW, Barbara Massing, classificou a nova detenção como motivo de preocupação antes da libertação do jornalista. Segundo ela, o trabalho de Uludag consistiu em “pesquisado e relatado de forma independente sobre o Judiciário, a política e a sociedade na Turquia, em prol do interesse público”.
Um porta-voz do governo alemão afirmou que o episódio gerou “irritação profunda” em Berlim, com a avaliação de que a Turquia descumpriu compromissos de liberdade de imprensa assumidos ao aderir ao Conselho da Europa e à Convenção Europeia de Direitos Humanos.
Entidades de imprensa turcas também se manifestaram contra a prisão e realizaram protesto em frente a um tribunal em Ancara.
O país ocupa a 163ª posição entre 180 nações no Índice de Liberdade de Imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras deste ano, atrás de Iraque e Sudão.
Sinan Tartanoglu, representante do Sindicato dos Jornalistas em Ancara, resumiu a situação: “Há muitos jornalistas na prisão, e muitos sendo investigados”.
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