Túnel submarino de 8,5 bilhões de euros pode criar a primeira ligação ferroviária entre Europa e África e transformar a região
O projeto promete criar uma rota ferroviária inédita entre dois continentes
Uma ferrovia sob o Estreito de Gibraltar pode criar a primeira ligação fixa sobre trilhos entre Europa e África. O túnel submarino estudado por Espanha e Marrocos teria 38,5 km, com 27,7 km abaixo do mar. A estimativa de 8,5 bilhões de euros ainda não representa um orçamento fechado, e a obra não começou.
Onde o túnel ligaria Europa e África?
O traçado estudado ligaria Punta Paloma, no sul da Espanha, à região de Punta Malabata, perto de Tânger, no Marrocos. A rota passa por uma área menos curta que o caminho direto, mas considerada mais adequada para perfurar o fundo do estreito.
A engenharia apresentada pela SECEGSA prevê 38,5 km de extensão total. Desse percurso, 27,7 km ficariam sob o mar, com a estrutura alcançando profundidade máxima próxima de 475 metros.
A ligação seria ferroviária, não uma estrada para carros. Passageiros, cargas e veículos transportados em trens poderiam atravessar entre os continentes sem depender apenas de balsas ou navios.

Como seria construída a passagem sob o mar?
O projeto prevê 2 túneis ferroviários paralelos e uma galeria de serviço entre eles. A solução permite separar os sentidos de circulação e criar rotas de acesso para manutenção e emergências.
Os principais elementos planejados são:
Por que o fundo do Estreito de Gibraltar dificulta a obra?
O fundo do estreito reúne grande profundidade, correntes fortes e formações geológicas ainda cercadas de incerteza. A área conhecida como Umbral de Camarinal concentra parte dos estudos porque pode influenciar o caminho e a forma de escavação.
O acordo entre SECEGSA e CSIC publicado no boletim espanhol prevê uma campanha para mapear o relevo, colher sedimentos e formar um modelo geológico em 3 dimensões.
- Batimetria: equipamentos medem a profundidade e o formato do fundo marinho.
- Subsolo: sondas identificam camadas abaixo dos sedimentos superficiais.
- Amostras: materiais retirados do fundo passam por análise em laboratório.
- Modelo 3D: os dados ajudam a localizar riscos antes de definir a escavação.
- Licenças ambientais: os trabalhos precisam considerar áreas protegidas e a presença de orcas.
O que já está confirmado e o que ainda é uma estimativa?
Os estudos oficiais e a cooperação entre Espanha e Marrocos estão confirmados. Custo final, prazo de construção e data de abertura continuam sem decisão definitiva.
O convênio espanhol para atualizar o projeto preliminar transferiu 2,3 milhões de euros para novos trabalhos técnicos. Esse valor financia estudos, não a construção do túnel:
Como o túnel poderia transformar a região?
O túnel poderia reduzir o tempo de travessia e criar uma rota contínua entre redes ferroviárias europeias e africanas. Portos, centros logísticos, turismo e transporte de mercadorias teriam uma nova opção de circulação.
A ligação também aproximaria cadeias produtivas instaladas no Marrocos, na Espanha e em outros países da União Europeia. O efeito dependeria de terminais, ferrovias de acesso e controles de fronteira capazes de acompanhar o novo fluxo.
O projeto tem potencial histórico, mas a próxima grande decisão depende do que os estudos encontrarem sob o Estreito de Gibraltar.
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