Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa

01.11.2026

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Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa
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Redação O Antagonista
8 minutos de leitura 22.07.2026 05:43 comentários
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Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa

Foram 1,7 milhão de furtos em domicílio contra 195 mil roubos dentro de casa, e essa diferença decide onde vale gastar em proteção.

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Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa
Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa
O que você vai ver
  • A diferença jurídica entre furto e roubo que muda completamente a estratégia de proteção da casa.
  • A região do Brasil onde o risco de furto em domicílio é o dobro da média nacional, e não é a que todo mundo imagina.
  • O que realmente some de dentro das casas brasileiras, e não costuma estar em nenhum cofre.
  • Por que não registrar boletim de ocorrência custa mais caro do que parece.

O crime mais comum contra a casa brasileira acontece sem ninguém dentro dela.

Foram 1,7 milhão de furtos em domicílio no Brasil em um ano, contra 195 mil roubos dentro de casa. A distância entre os dois números é a estatística mais reveladora sobre segurança residencial no país, e ela aponta para uma conclusão prática que aparece na segunda metade deste texto.

Furto e roubo não são a mesma coisa, e a diferença define a estratégia

No roubo há violência ou grave ameaça contra a vítima. No furto, não: o bem é subtraído sem confronto, tipicamente porque não havia ninguém para confrontar.

Essa distinção jurídica vira estratégia doméstica. Proteger-se de roubo é sobre o que fazer quando alguém entra com você em casa; proteger-se de furto é sobre o que a casa comunica quando você não está.

O que os dados oficiais mostram sobre a casa brasileira

A fonte mais completa sobre o tema não é uma estatística policial. É uma pesquisa domiciliar.

Em 2021, cerca de 4,0% dos domicílios brasileiros tinham pelo menos um morador vítima de furto no período de um ano, o equivalente a 2,9 milhões de lares. Entre os domicílios com pelo menos uma vítima, a maior parte, 44,3% ou 1,3 milhão, sofreu o furto dentro da própria residência. Os números são do módulo Furtos e Roubos da PNAD Contínua, do IBGE em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgado em dezembro de 2022.

A pesquisa domiciliar capta o que o boletim de ocorrência não capta. Como explicou a analista do IBGE Alessandra Scalioni na divulgação, muita gente percebe a falta dos bens e não procura uma delegacia, o que faz os números da PNAD superarem os registros oficiais.

O mapa regional contraria o que a intuição sugere

Se você apostaria no Sudeste, errou pela metade.

O Norte teve o maior percentual de domicílios com vítimas de furto do país, 6,5%, bem acima da média nacional. O Nordeste registrou o menor, 3,3%. Já o Sudeste concentra a maior participação no total de furtos de veículos, com 55,3% dos casos e 64,1% especificamente dos furtos de carro, o que mostra que os dois fenômenos têm geografias distintas.

Ler o dado por região, e não por manchete, muda o que cada morador precisa priorizar. Em algumas capitais o alvo dominante está na garagem; em outras, dentro de casa.

O que realmente some de dentro das casas

E aqui está o dado que reorganiza qualquer checklist de proteção.

Entre os furtos ocorridos dentro do domicílio, os bens mais citados pelas vítimas foram telefone celular em 21,6% dos casos e eletrodoméstico em 20,6%, seguidos por dinheiro (18,5%) e roupa ou calçado (16,6%). Mais abaixo aparecem joia, bijuteria ou relógio (9,8%), ferramentas (8,1%) e botijão de gás ou outros combustíveis (7,8%).

Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa
Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa

Nenhum desses itens está num cofre. Estão na bancada, na área de serviço, no varal, atrás da casa. O furto residencial brasileiro típico é de baixa complexidade e alta oportunidade, e não de arrombamento sofisticado.

Isso reposiciona o investimento em segurança. Antes da câmera, vem tirar o botijão e as ferramentas de onde estão visíveis do portão.

O que mais some das casas brasileiras Bens mais citados por vítimas de furto dentro do domicílio, PNAD Contínua 2021.
Telefone celular21,6%
Eletrodoméstico20,6%
Dinheiro18,5%
Roupa ou calçado16,6%
Joia, bijuteria ou relógio9,8%
Ferramentas8,1%
Botijão de gás ou combustível7,8%
IBGE, módulo Furtos e Roubos da PNAD Contínua 2021, divulgado em dezembro de 2022.

Por que a subnotificação importa para você, e não só para a estatística

A pesquisa investigou também quem não procurou a polícia e por quê. As respostas mais citadas foram falta de provas (24,1%), não acreditar na polícia (23,6%) e não considerar o caso importante (22,0%).

O efeito prático é duplo. A cifra oculta distorce o retrato oficial que orienta o policiamento do seu bairro, e, no plano individual, o furto sem boletim de ocorrência inviabiliza qualquer acionamento de seguro residencial. Registrar é barato e mantém as duas portas abertas.

Para quem quer acompanhar o retrato agregado do setor, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reúne os dados das secretarias estaduais e das polícias civis, militares e federal, e disponibiliza todas as edições em acesso aberto.

O checklist que age sobre oportunidade, não sobre medo

Proteção residencial eficiente é chata e barata. Ela ataca a janela de oportunidade, não o criminoso.

  • Recolha botijão, ferramentas, bicicletas e eletrodomésticos da área externa e do quintal.
  • Elimine os sinais de ausência: correspondência acumulada, luzes sempre apagadas, lixeira parada.
  • Instale iluminação com sensor de presença nos acessos laterais e nos fundos, os pontos menos visíveis da rua.
  • Combine com um vizinho a vigilância mútua durante viagens, com datas exatas.
  • Fotografe e anote números de série dos eletrônicos, o que viabiliza o registro e a recuperação.
  • Registre o boletim de ocorrência sempre, mesmo em furto de valor baixo.
Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa
Furto em domicílio: onde o risco é maior no Brasil e o que muda em casa

Quem mora em rua de pouco movimento tem um ganho adicional ao eliminar a parada do carro na calçada; entender quanto custa instalar um portão automático ajuda a dimensionar esse gasto. E para quem tem moto na garagem, vale conferir quais modelos concentram os registros de roubo no país, porque o alvo preferencial muda a exposição da casa inteira.

O próximo retrato consolidado chega com a nova edição do Anuário e com a atualização do módulo de vitimização do IBGE, que passa a permitir comparação entre anos, algo que a primeira rodada de 2021 não permitia. Até lá, o número que vale acompanhar é local: a taxa de furto do seu município na secretaria estadual de segurança, publicada mensalmente e quase nunca lida. A tramitação da PEC da Segurança Pública deve alterar justamente a forma como esses dados são padronizados entre os estados.

Este texto reúne informações de caráter público e informativo e não substitui orientação de autoridades policiais nem a análise de um profissional de segurança para casos específicos. Em situação de emergência, acione o 190.

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