França bloqueia site de apostas políticas Polymarket
Medida atinge plataforma que já tinha proibição para transações financeiras desde 2024
A Autoridade Nacional de Jogos da França (ANJ) determinou o bloqueio total ao acesso da plataforma de apostas online Polymarket, dedicada a apostas sobre eventos políticos e da atualidade.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 17, pelo órgão regulador francês, que já havia proibido transações financeiras no site a partir do país em 2024. Segundo a ANJ, mesmo com a restrição anterior, usuários franceses continuavam acessando livremente a página inicial do serviço.
Página exibia cotações em tempo real
De acordo com o comunicado da autoridade reguladora, a página inicial da Polymarket estava disponível a internautas franceses e mostrava, de maneira dinâmica, as cotações vinculadas aos diversos eventos passíveis de aposta. Para a ANJ, essa exposição contínua equivale à divulgação publicitária de uma atividade sem autorização para operar em território francês.
O órgão lembrou que a legislação classifica como crime a promoção, por qualquer via, de sites de apostas ou jogos de azar não licenciados. Diante disso, decidiu ampliar a restrição e impedir totalmente o acesso à plataforma.
Os números de audiência também pesaram na decisão. Segundo a ANJ, a Polymarket vinha atraindo público crescente no país nos últimos dois anos, tendo alcançado, somente em junho, 578.751 acessos e 205.057 visitantes únicos vindos do território francês.
Coincidência com escândalo nos Estados Unidos
O bloqueio ocorreu no mesmo dia em que veio à tona um episódio envolvendo o teleponto usado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O profissional responsável pelo equipamento foi demitido após se descobrir que apostou quase 100 mil dólares — cerca de 87 mil euros — antecipando o conteúdo dos discursos presidenciais. As apostas foram feitas na Kalshi, concorrente direta da Polymarket no segmento de previsões sobre temas políticos e geopolíticos.
Portugal também restringiu acesso
A decisão francesa segue um movimento observado em outros países europeus. Portugal já havia bloqueado o acesso ao site no início deste ano, por meio do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), sob a justificativa de que a Polymarket não possuía licença para funcionar no país e oferecia apostas sobre eleições e eventos geopolíticos, prática vedada pela legislação portuguesa.
Com a decisão da ANJ, a França se soma à lista de nações que optaram por vetar integralmente o acesso à plataforma, ampliando o cerco regulatório sobre mercados de previsão política dentro do continente europeu.
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