Crusoé: Os fantasmas que assombram os pré-candidatos
Campanhas competitivas costumam explorar assuntos capazes de provocar reação emocional no eleitor
Antes de a propaganda eleitoral começar, as equipes dos pré-candidatos a presidente já trabalham arduamente para definir quais episódios do passado e declarações dos seus rivais serão explorados ao longo da campanha.
No Brasil, a definição de quais fantasmas do inimigo serão trazidos à luz costuma ser muito bem calculada.
Em geral, os marqueteiros exploram os medos do eleitorado que já foram consolidados ao longo de décadas de disputas políticas: a acusação de que um adversário acabará com programas sociais, fechará igrejas, privatizará empresas estratégicas ou defenderá pautas de baixa aceitação popular, como o aborto.
Mesmo quando essas narrativas não encontram respaldo nos programas de governo dos pré-candidatos, elas frequentemente moldam o debate eleitoral.
O histórico das campanhas presidenciais mostra que determinados temas se transformam em marcas difíceis de abandonar.
O atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, carregou por anos o peso das privatizações realizadas durante sua gestão em São Paulo. Apesar de bem-sucedidas na prática, elas foram transformadas pelos adversários em uma entrega do patrimônio do povo.
Lula enfrentou sucessivas ofensivas para associá-lo à defesa da legalização do aborto — assunto que segue entre os de maior rejeição popular nas pesquisas. Para evitar um desgaste maior, o PT precisou reiteradamente reforçar que mudanças na legislação não faziam parte de sua agenda de governo.
A lógica é simples: campanhas competitivas costumam explorar assuntos capazes de provocar reação emocional no eleitor antes mesmo de promover um debate sobre propostas.
Essa estratégia ajuda a gerar rejeição, que, em cenários altamente polarizados como o brasileiro, costuma mobilizar mais a população do que o debate sobre planos de governo.
É nesse contexto que novos fantasmas começam a ganhar espaço para 2026.
O PT de Lula buscará associar ao máximo a relação entre o bolsonarismo e o presidente americano Donald Trump.
Na quarta, 15, o republicano sancionou tarifas de 25% a produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.
A ladainha petista…
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