Uma tripulação de 70 militares passou 231 horas debaixo d’água dentro de um submarino brasileiro durante uma viagem que percorreu mais de 6 mil quilômetros
Em 1976, o Humaitá percorreu 3.396 milhas náuticas durante 19 dias no mar e acumulou 231 horas em imersão.
Em 1976, o antigo Submarino Humaitá levou 70 militares por uma comissão de 19 dias e acumulou 231 horas em imersão. A viagem somou 3.396 milhas náuticas, equivalentes a mais de 6,2 mil quilômetros, entre trechos submersos e na superfície.
Como o Humaitá passou 231 horas submerso?
O número corresponde ao tempo acumulado em imersão durante toda a comissão, não a 231 horas contínuas sem mudança de condição. Ao longo da viagem, o submarino alternou trechos submersos com o restante da navegação, conforme a rota e as exigências operacionais.
Das 3.396 milhas náuticas percorridas, 865,8 ocorreram em imersão. Essa parcela equivale a aproximadamente 1.603 quilômetros e mostra que a missão exigiu longos períodos abaixo da superfície, somados ao longo dos 19 dias no mar.

Qual era o percurso da comissão de 1976?
Um dos trechos documentados começou em Ilhéus, na Bahia, em 14 de junho de 1976, e terminou em Belém, no Pará, no dia 25. Nesse deslocamento, o Humaitá navegou 1.203 milhas náuticas.
Desse trecho rumo ao Norte, 668 milhas foram cumpridas em imersão, com mais de 195 horas submerso. A comissão completa foi maior: reuniu outros deslocamentos até alcançar 3.396 milhas náuticas e 19 dias de mar.
Como 70 militares operavam dentro do submarino?
A tripulação do antigo Humaitá era formada por seis oficiais e 64 praças. O grupo precisava manter navegação, máquinas, comunicações, sensores, segurança e rotina de bordo funcionando em espaço limitado, inclusive durante os períodos prolongados de imersão.
O Submarino Humaitá S20 media cerca de 90 metros e deslocava 2.420 toneladas em imersão. Incorporado à Marinha em 1973, possuía oito tubos lança-torpedos de 533 milímetros e integrava a frota convencional brasileira.
A permanência no mar exigia organização contínua de tarefas:
- alternância de quartos de serviço entre os militares;
- controle de energia, ventilação e condições internas;
- acompanhamento de rota, profundidade e contatos externos;
- manutenção dos equipamentos durante a própria comissão.
Quais números mostram a escala da viagem?
O relatório histórico divulgado pela Agência Marinha de Notícias permite separar o total da comissão do trecho entre Ilhéus e Belém. As medidas também distinguem a distância navegada em imersão do percurso geral.
Convertidas para o sistema métrico, as 3.396 milhas náuticas representam cerca de 6.289 quilômetros. Já as 865,8 milhas submersas equivalem a aproximadamente 1.603 quilômetros, cerca de um quarto do percurso total registrado.
As distâncias oficiais mostram como a navegação se dividiu:
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Por que a missão ainda tem valor histórico?
A comissão demonstra que submarinos brasileiros já realizavam, na década de 1970, deslocamentos prolongados até a região Norte. O registro também ajuda a diferenciar o antigo Humaitá S20 do atual Humaitá S41, incorporado décadas depois à Força de Submarinos.
Mais do que um número isolado, as 231 horas representam a soma de decisões técnicas, disciplina e trabalho coletivo dentro de um ambiente restrito. A viagem permanece como referência da presença submarina brasileira e da capacidade de operar por longos períodos.
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