Padre excomungado nega cisma e ataca Concílio Vaticano II
Sacerdote ligado à Fraternidade São Pio X classifica reformas dos anos 60 como “guerra mundial espiritual”
O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, de 47 anos, divulgou nesta quinta-feira, 16, um vídeo em que rejeita estar em situação de cisma com a Igreja Católica e questiona a validade canônica de sua excomunhão, confirmada na sexta-feira passada pela Arquidiocese de Brasília.
A punição decorre de sua filiação à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), entidade tradicionalista que preserva ritos anteriores ao Concílio Vaticano II. O material foi publicado no perfil da Capela Santo Atanásio, onde o sacerdote atua como capelão.
Padre nega desobediência e questiona decisão
Na gravação, Françoá afirmou: “Não estou excomungado, não sou cismático, nada faço em nome da desobediência”. Ele também declarou: “Pelo que me consta, é a primeira vez que Dom Paulo César expulsa um sacerdote por ser católico. Exatamente. Porque normalmente o cardeal tem que expulsar sacerdotes por casos complicados, escândalos, normalmente contra a moral”.
Segundo o padre, a medida contraria normas do Direito Canônico, e ele recorre ao teólogo Tomás de Aquino para sustentar que uma excomunhão considerada injusta não produziria efeito “diante de Deus”: “O nosso Papa é Leão XIV (…) Mas mesmo sendo católicos, nós não somos hiperpapalistas, não praticamos a papolatria. De fato, até o Papa está submetido à palavra de Deus”.
Crítica às reformas do Concílio Vaticano II
O sacerdote também se manifestou contra as mudanças litúrgicas promovidas pela Igreja na década de 1960 a partir do Concílio Vaticano II: “Essa terceira guerra mundial, dito de maneira espiritual, realmente entrou para destruir as grandes verdades da nossa fé e os costumes católicos que nós sempre guardamos”.
Realizado entre 1962 e 1965, o Concílio autorizou celebrações em línguas locais, alterou a posição do sacerdote durante a missa e ampliou o diálogo da instituição com outras religiões. A Fraternidade São Pio X, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, defende o retorno ao rito tridentino, celebrado em latim, e critica as mudanças litúrgicas e pastorais adotadas após o Concílio.
Trajetória do sacerdote
Ordenado em 8 de dezembro de 2004, em Anápolis (GO), Françoá atuou em paróquias das dioceses de Anápolis e Itumbiara, além da Arquidiocese de Brasília, e também exerceu atividades no exterior. Formado em Filosofia em 2001, com licenciatura em 2020, ele concluiu doutorado em Teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, em 2011, e obteve licenciatura em Estudos Eclesiásticos em 2004.
Foi professor da Faculdade Católica de Anápolis e é autor dos livros Jesus Cristo, o único salvador e A igreja de Jesus Cristo — Eclesiologia hoje. Também participou de cursos de atualização sacerdotal no Instituto Internacional de Ciências Sociais, em 2011 e 2017.
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