Ex-assessor do Fed pega 38 meses de prisão
Julgamento aponta que economista mentiu sobre repasse de dados sigilosos a agentes chineses; tempo já cumprido será descontado
John Harold Rogers, de 64 anos, ex-assessor sênior do Conselho de Governadores do Federal Reserve foi sentenciado nesta quarta-feira, 15, a 38 meses de prisão por prestar declarações falsas a investigadores federais dos Estados Unidos.
Absolvido da acusação de conspiração para espionagem econômica, foi considerado culpado por mentir sobre o compartilhamento de dados ligados à política monetária americana com agentes de inteligência da China. A juíza federal Dabney Friederich impôs pena inferior aos cinco anos solicitados pela acusação.
Detalhes do processo
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Rogers atuou na Divisão de Finanças Internacionais do Fed entre 2010 e 2021. A denúncia relata que, a partir de 2018, ele passou a atender pedidos de informação vindos de supostos alunos de pós-graduação — na realidade, agentes vinculados aos serviços de segurança chineses.
Os procuradores sustentam que, desde 2017, Rogers manteve vínculo com uma agente de inteligência chinesa, com quem se encontrou em hotéis na China, entregando-lhe dados que ela solicitava em nome do governo comunista.
Ainda de acordo com a acusação, ele sabia que essas informações seriam usadas em relatórios enviados a autoridades chinesas.
O inspetor-geral do Conselho de Governadores do Federal Reserve e do Consumer Financial Protection Bureau, Michael E. Horowitz, declarou: “John Rogers mentiu deliberadamente aos nossos investigadores para ocultar o fato de que compartilhou informações restritas e não públicas do Federal Reserve com agentes de inteligência que trabalhavam para a China”.
Recompensas e negativas
A denúncia aponta que a suposta conspiração se estendeu de maio de 2013 até 2025. Em 2023, Rogers teria recebido cerca de US$ 450 mil como professor em tempo parcial de uma universidade chinesa, além de auxílio para conquistar posições acadêmicas no país.
Em agosto daquele ano, segundo os autos, ele tentou obter por e-mail duas planilhas com dados proprietários do banco central americano.
Questionado em fevereiro de 2020, durante entrevista ao Escritório do Inspetor-Geral do Federal Reserve, sobre se já havia repassado informações restritas, Rogers respondeu apenas: “Nunca”.
A defesa pedia que o tempo de quase 18 meses já cumprido em detenção fosse considerado suficiente, sem prisão adicional — esse período será abatido da pena total.
O advogado Jonathan Gitlen classificou a decisão como desproporcional: “Embora certamente reconheçamos o cuidado que a juíza teve ao analisar o caso, estamos decepcionados com a sentença de 38 meses. Ela é significativamente mais severa do que as penas aplicadas a outros réus em casos semelhantes”.
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