Pesquisadores encontraram uma árvore praticamente idêntica a fósseis da era dos dinossauros, e o local onde ela cresce continua protegido por razões de conservação
O Wollemi pine é uma conífera da família Araucariaceae, grupo que dominava o supercontinente Gondwana
Escondida em um cânion de arenito no interior de Nova Gales do Sul, na Austrália, a árvore conhecida como Wollemi pine é uma das plantas mais raras do planeta.
Redescoberta em 1994 por um guarda-parques, ela passou milhões de anos fora dos registros científicos. Desde então, tornou-se símbolo de espécies que somem dos olhos humanos, mas persistem em refúgios improváveis.
O que é o Wollemi pine e qual sua origem evolutiva?
O Wollemi pine é uma conífera da família Araucariaceae, grupo que dominava o supercontinente Gondwana. Fósseis semelhantes às folhas e ao pólen atuais datam de dezenas de milhões de anos, motivo pelo qual é chamado de “fóssil vivo”.
Botanicamente, pode atingir cerca de 40 metros, com casca escura e cheia de bolhas, folhas estreitas verde-azuladas e cones masculinos e femininos na mesma planta. Também emite múltiplos troncos a partir de um único sistema radicular, prolongando a longevidade do indivíduo.
#DYK. The plant, once considered extinct, was unearthed in 1994 after 2M+ years "extinct. #Wollemi Pine (Wollemia nobilis) is a #livingfossil.
— Mohan Pargaien IFS🇮🇳 (@pargaien) March 31, 2026
With bubbly bark & just ~100 wild trees left in Australia, it's a conservation miracle.
Nature's ultimate comeback! 🦕✨ #WollemiPine… pic.twitter.com/E9aNoVcwob
Como o Wollemi pine sobrevive em ambiente tão restrito?
Na natureza, restam menos de cem indivíduos em um cânion profundo e isolado. Sombra intensa, ar mais frio e alta umidade criam um microclima estável que favorece a sobrevivência ao longo de grandes mudanças climáticas.
Porém, essa localização única concentra o risco. Estudos genéticos mostram diversidade extremamente baixa, semelhante a clones, o que aumenta a vulnerabilidade a doenças e a alterações bruscas no ambiente.
Por que o local dos Wollemi pines selvagens é mantido em segredo?
O governo australiano mantém o local em sigilo para evitar impactos humanos diretos e a introdução de patógenos. Um dos maiores temores é o microrganismo Phytophthora cinnamomi, causador de podridão de raízes em milhares de espécies.
Pesquisadores autorizados seguem protocolos rígidos de higiene, com desinfecção de botas e equipamentos e rotas controladas. Ameaças adicionais, como incêndios florestais mais intensos, levaram à instalação de sistemas de irrigação e ao uso de aeronaves de combate ao fogo em operações específicas.

Como funciona a estratégia de conservação do Wollemi pine?
A conservação combina proteção in situ e cultivo ex situ para reduzir o risco de extinção. Translocações criam populações “seguro” em áreas com clima e geologia semelhantes ao cânion original, monitoradas por longo prazo.
As ações principais podem ser resumidas em frentes complementares de manejo e divulgação científica:
Proteção estrita da população selvagem em cânion isolado;
Criação de áreas de translocação com clima semelhante;
Distribuição para jardins botânicos e instituições científicas;
Comercialização controlada por viveiros autorizados;
Monitoramento genético e sanitário contínuo das populações.
Integração sinérgica entre proteção de habitat natural, pesquisa científica e domesticação econômica para erradicar o risco de extinção.
Que lições o Wollemi pine oferece para a conservação moderna?
O caso do Wollemi pine é modelo para espécies criticamente ameaçadas. Mostra o valor do sigilo de localização, de protocolos sanitários rigorosos e da criação de múltiplas populações, inclusive em coleções científicas e jardins públicos.
Ao ver um Wollemi pine em um jardim botânico, o visitante observa apenas uma árvore incomum. Para pesquisadores, cada exemplar é um elo com o passado remoto e um teste de longo prazo sobre como sociedades modernas protegem linhagens antigas diante de incêndios, doenças e mudanças climáticas.
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