Navio afundado há quase 300 anos é encontrado a 600 metros de profundidade carregado com porcelanas chinesas, lustres e tecidos europeus
A carga preservada no fundo do mar reúne mercadorias de diferentes continentes, mas a viagem interrompida permanece sem identificação.
O navio afundado permaneceu a cerca de 600 metros de profundidade desde meados do século XVIII. Nos destroços, arqueólogos encontraram porcelanas chinesas, cálices, partes de lustres, tecidos, grãos e caixas cujo conteúdo pode revelar uma antiga rota comercial.
O que foi encontrado dentro do navio afundado?
O veleiro transportava grande quantidade de tigelas e pratos chineses de porcelana azul e branca, muitos ainda empilhados. A equipe também identificou cálices europeus, fragmentos de lustres, tecidos e grãos preservados no fundo do mar.
Caixas de madeira podem ter guardado chá, ervas ou medicamentos, embora análises sejam necessárias. A combinação reúne mercadorias asiáticas e objetos europeus na mesma embarcação, oferecendo pistas sobre o comércio de luxo no século XVIII.

Onde está o naufrágio no Skagerrak?
Os destroços repousam a aproximadamente 600 metros no estreito de Skagerrak, ao sul da Noruega. A profundidade impede uma escavação convencional e exige veículos remotos para filmar e retirar os objetos.
O local foi identificado por Espen Saastad, relojoeiro e operador de uma pequena empresa de inspeção submarina. Ele alertou as autoridades e passou a colaborar com o Museu Marítimo Norueguês.
Por que a carga surpreendeu os arqueólogos?
A descoberta é considerada a carga de porcelana chinesa desse tipo mais bem preservada já localizada no norte da Europa. As peças ficaram protegidas pela água fria, pela profundidade e pela pouca perturbação humana.
O conjunto preserva objetos de origens diferentes, permitindo comparar consumo e circulação de mercadorias. Entretanto, a fabricação europeia dos tecidos ainda precisa ser confirmada; essa procedência está mais clara nos cálices e nos componentes de iluminação.
Os materiais recuperados abrem frentes diferentes de investigação:
Como os objetos são retirados de 600 metros?
A operação usa um veículo submarino controlado da superfície, equipado com câmeras e braços mecânicos. O sistema precisa separar peças frágeis do sedimento e transportá-las em recipientes apropriados sem aplicar força capaz de quebrar porcelana, vidro ou madeira.
O Diretório Norueguês do Patrimônio Cultural destinou 2,9 milhões de coroas norueguesas à pesquisa. Depois da retirada, os artefatos passam por documentação, conservação e exames que podem revelar composição, idade e procedência.
Cada etapa reduz um risco específico para o material:
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O que ainda falta descobrir sobre o navio?
A nacionalidade, o porto de partida, o destino e a identidade da embarcação permanecem desconhecidos. Marcas de fabricantes, inscrições, peças estruturais e documentos eventualmente preservados podem relacionar o naufrágio a registros de navios desaparecidos em meados do século XVIII.
A carga sugere uma rota ligada ao comércio internacional, mas não determina sozinha quem comprou os objetos ou onde seriam entregues. A investigação deverá combinar arqueologia, análises laboratoriais e arquivos marítimos para reconstruir a viagem interrompida no Skagerrak.
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