Ilha prepara 6 helicópteros e 550 toneladas de iscas para eliminar animal invasor de apenas 20 gramas
O projeto pretende cobrir toda a ilha subantártica com iscas, enquanto testes avaliam riscos, rotas aéreas e proteção das aves.
O Mouse-Free Marion prepara uma operação aérea para eliminar camundongos introduzidos há cerca de 200 anos em uma ilha subantártica. Com até seis helicópteros e 550 toneladas de iscas, o plano tenta proteger albatrozes e outras aves marinhas ameaçadas.
Como um camundongo de 20 gramas virou ameaça para aves gigantes?
Camundongos-domésticos chegaram acidentalmente à Ilha Marion no início do século XIX, provavelmente em embarcações de caçadores de focas. Sem predadores terrestres naturais, eles se multiplicaram e passaram a consumir sementes, invertebrados, ovos e aves vulneráveis.
Os primeiros ataques documentados contra filhotes de albatroz ocorreram em 2003. Desde então, pesquisadores registraram ferimentos também em adultos, que permanecem nos ninhos porque evoluíram em um ambiente sem pequenos mamíferos capazes de atacá-los durante a noite.

Por que serão necessárias 550 toneladas de iscas?
A ilha possui cerca de 30 mil hectares, relevo montanhoso, áreas úmidas e clima instável. Para a erradicação funcionar, a isca precisa alcançar todos os territórios ocupados, pois uma única fêmea prenha sobrevivente poderia reconstruir a população.
O Mouse-Free Marion planeja usar até seis helicópteros guiados por GPS, equipados com recipientes de distribuição. A operação completa prevê até 550 toneladas de isca com rodenticida, aplicadas durante o inverno, quando o alimento natural dos roedores fica escasso.
A logística reúne etapas consideradas essenciais:
Quais aves podem ser protegidas com a retirada dos camundongos?
A Ilha Marion abriga mais de dois milhões de aves marinhas e uma parcela importante da população mundial de albatrozes-errantes. Segundo o projeto, 19 das 29 espécies de aves que se reproduzem no local podem desaparecer regionalmente se os ataques continuarem.
Albatrozes produzem poucos filhotes e demoram anos para atingir a maturidade, por isso a perda de jovens e adultos pesa por várias temporadas. Petreis que fazem ninhos no solo ou em tocas também ficam expostos à predação e à alteração dos invertebrados da ilha.
Os números mostram o tamanho do desafio:
A operação completa já tem data para acontecer?
Antes da erradicação em toda a ilha, está previsto um teste aéreo em cerca de mil hectares entre abril e maio de 2027. Essa etapa utilizará um helicóptero para avaliar equipamento, rotas, densidade de isca e coordenação sob as condições locais.
A data da operação integral ainda depende de financiamento, autorizações e dos resultados dos testes. A Ilha Marion é uma reserva especial administrada pela África do Sul, por isso qualquer aplicação exige controle ambiental e acompanhamento de espécies que não são o alvo.
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