Rodolfo Borges na Crusoé: Trump dá carrinho por trás em Alexander Hamilton
"Se não houver penalidade, as resoluções ou ordens que pretendem ser leis não passarão, na prática, de meros conselhos ou recomendações", afirmou o pai fundador dos EUA
Donald Trump invadiu o território de um país para deter seu ditador, Nicolás Maduro, e apoiou o bombardeio de outra nação, que resultou na morte de outro autocrata, Ali Khamenei.
Foram duas medidas extremas e controversas do presidente americano, mas podem ser debatidas no contexto de confrontos e guerras. Nada justifica, contudo, a intervenção esportiva que Trump fez nesta semana, ao buscar a Fifa para suspender a punição pelo cartão vermelho de Balogun.
Federações do mundo inteiro protestaram, com razão.
“O futebol, como qualquer outro esporte, se baseia em regras, que são a base para uma competição justa, honesta e transparente”, disse a UEFA. E não foi apenas o esporte que Trump profanou.
Sanções
“Governar implica o poder de criar leis. É essencial à ideia de lei que ela venha acompanhada de uma sanção — ou seja, uma penalidade ou punição para o caso de desobediência. Se não houver penalidade associada à desobediência, as resoluções ou ordens que pretendem ser leis não passarão, na prática, de meros conselhos ou recomendações”, escreveu Alexander Hamilton no 15º dos Artigos Federalistas, os ensaios em defesa de um governo federal forte após a independência.
O governo Trump é disruptivo. Põe em questão as leis e os padrões americanos, a impessoalidade, conceitos sobre os quais se ergueu o país após a emancipação do Reino Unido.
Curiosamente, o presidente vai contagiando seus compatriotas — ou foi contagiado.
Balogun, o atacante beneficiado pela suspensão da punição de ficar um jogo sem entrar em campo, nasceu nos Estados Unidos por acaso, durante viagem dos pais nigerianos.
Trump tentou evitar que esse tipo de nascimento, em solo americano, implicasse em cidadania para uma criança, mas a Suprema Corte o contrapôs.
Impunidade
Apesar de beneficiado por uma decisão inusual, Balogun decidiu entrar em campo contra a Bélgica.
O treinador dos EUA, Mauricio Pochettino, que é argentino, se disse “muito frustrado e decepcionado com as pessoas” ao comentar o caso, chamando atenção para os insultos a Balogun.
“Qual é o sentido de insultar alguém, de enviar uma quantidade enorme de mensagens ofensivas ou até ameaças? Estou muito decepcionado com muitas pessoas. Porque misturam as coisas. Colocam política no meio, falam em manipulação, questionam ética e integridade”, reclamou.
Mas quem…
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