Josias Teófilo na Crusoé: A cultura brasileira reduzida ao clichê
Talvez exista uma vantagem em deixar de ser o país do futebol: temos um clichê a menos para carregar
O Brasil deixou de ser o país do futebol, ao menos no que se refere à participação na Copa do Mundo, com os fracassos do país na competição depois de 2002.
Talvez exista uma vantagem nisso: temos um clichê a menos para carregar.
Em certo sentido, o nosso país é vítima dos próprios sucessos. O futebol é um exemplo, mas também a música popular, a arquitetura moderna (especialmente Oscar Niemeyer) — tudo isso nos elevou ao reconhecimento mundial, e difundiu um soft power que poucos países têm.
Mas isso tudo ofuscou os grandes artistas brasileiros, que estão entre os maiores em suas respectivas linguagens, mas que, pela própria grandeza, não podem ser reduzidos aos lugares comuns da brasilidade.
“Os lugares comuns são os bondes do transporte intelectual”, dizia José Ortega y Gasset.
As vantagens deles é que são fáceis.
O problema é que eles pegam elementos específicos e de certas regiões do país e ampliam para o resto do território continental do Brasil.
Especialmente o Rio de Janeiro, que virou o Brasil para exportação. Quando se pensa em cinema brasileiro, pensa-se em cinema carioca.
Até o cinema de São Paulo, que desde os anos 1960 é a maior cidade do Brasil, foi totalmente açambarcado pelo cinema carioca, especialmente o Cinema Novo.
O cineasta paulistano Walter Hugo Khouri esteve com três filmes no festival mais importante do mundo, o Festival de Cannes, mas nunca é lembrado lá, porque não há iniciativas de brasileiros nesse sentido — não há nenhum documentário sobre ele, por exemplo.
E foi o Cinema Novo…
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