Traficantes usam correio para atrair clientes em Berlim
Pacotes coloridos com drogas e contatos de vendedores têm sido deixados em caixas de correspondência de moradores da capital alemã
A polícia de Berlim, capital da Alemanha, divulgou um comunicado nesta semana alertando moradores sobre uma prática identificada entre grupos criminosos: o envio de amostras gratuitas de entorpecentes diretamente às caixas de correio de residências na cidade.
Segundo as autoridades, a ação busca captar novos consumidores por meio de embalagens chamativas que incluem, além da substância, canais de contato como telefones e QR Codes vinculados a aplicativos de mensagens.
Substâncias variadas e risco a crianças
De acordo com o levantamento policial, os pacotes distribuídos contêm diferentes tipos de drogas, entre elas cocaína, ecstasy, cetamina, haxixe, maconha e 3-MMC — um estimulante sintético. A coloração vistosa das embalagens tornou-se motivo de preocupação adicional para as autoridades, que temem que crianças e adolescentes sejam atraídos pelo visual dos produtos.
Segundo o alerta divulgado, pais devem intensificar a vigilância sobre o conteúdo encontrado em caixas de correio, uma vez que menores podem manusear ou até ingerir as substâncias sem reconhecer o risco envolvido. A recomendação das autoridades é que qualquer pacote suspeito não seja aberto, devendo o achado ser comunicado imediatamente à polícia.
Estratégia se soma a outras táticas de aliciamento
O método faz parte de um conjunto mais amplo de abordagens já observadas em bairros de Berlim nos últimos anos. Antes da distribuição pelo correio, a polícia já havia registrado adesivos em postes e muros com números de contato de vendedores, além de cartões promocionais contendo links para canais de venda em plataformas como WhatsApp e Telegram.
Para as autoridades de segurança pública, a mudança de tática representa um avanço na ousadia das redes de tráfico, que passaram a adotar recursos próprios de campanhas comerciais para ampliar sua base de clientes. A publicidade e a venda de entorpecentes seguem proibidas pela legislação alemã, e a população é orientada a denunciar qualquer ocorrência semelhante às autoridades.
Um relatório divulgado chamou atenção para o perfil das vítimas fatais associadas ao consumo de drogas no país: cerca de uma em cada quatro mortes registradas atinge pessoas com menos de 30 anos, segundo os dados apresentados. A informação reforça o cenário de exposição de públicos jovens às novas formas de comercialização identificadas pela polícia berlinense.
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