Chegou a hora de imitar o Paraguai?
o antagonista
Assine Entre

10.10.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
o antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Menu Menu Menu
O Antagonista
Chegou a hora de imitar o Paraguai?
avatar
Carlos Graieb
6 minutos de leitura 10.07.2026 16:15 comentários
Oráculo

Chegou a hora de imitar o Paraguai?

Com seu sistema tributário simples e um regime de incentivos para exportadores, o país atrai cada vez mais empresas brasileiras

avatar
Carlos Graieb
6 minutos de leitura 10.07.2026 16:15 comentários 1
Banner de disclaimer: Esse é um conteúdo de degustação do Oráculo
x Disclaimer Orácilo: Receba análises exclusivas de Carlos Grabieb, Duda Teixeira, Wilson Lima e Rodolfo Borges integrados a uma plataforma  premium de dados proprietários.
Chegou a hora de imitar o Paraguai?
Foto: Reprodução/ Presidência do Paraguai
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

O Paraguai aparece com frequência no debate brasileiro como um exemplo de baixa tributação e Estado enxuto. O relatório de uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado em 29 de junho, mostra um quadro mais amplo. O país combina estabilidade macroeconômica construída ao longo de duas décadas, inflação sob controle, disciplina fiscal e uma agenda contínua de reformas, fatores que lhe renderam recentemente o grau de investimento e sustentam uma projeção de crescimento de 4,4% em 2026.

O governo paraguaio pretende aproveitar essa credencial para acelerar um novo ciclo de industrialização. O programa Paraguai 2X estabelece como meta dobrar o tamanho da economia na próxima década, elevar o PIB acima de 100 bilhões de dólares e diversificar uma pauta exportadora ainda concentrada em poucos produtos. Um dos principais mecanismos desenvolvidos é o chamado “regime de maquila”, que oferece incentivos para produtores voltados à exportação.

Por que isso importa

Das 363 empresas atualmente instaladas sob o regime de maquila, nada menos que 254 são brasileiras. Reportagem publicada nesta sexta, 10, pelo Valor Econômico mostra que o número deve aumentar.

Além de companhias que já anunciaram investimentos, como Lupo e Döhler, outras, de diferentes segmentos, analisam o mesmo caminho. Segundo o jornal, representantes de Cacau Show, Bauducco, Bom Sabor, Ajinomoto e Stepan Química participaram recentemente de eventos sobre investimentos no Paraguai. O perfil dos interessados vem se alterando: antes concentrado em empresas médias, o movimento começa a envolver grandes grupos industriais.

Os fatores de atratividade

O primeiro fator de atratividade do Paraguai é a estabilidade macroeconômica. O país manteve inflação relativamente baixa durante os últimos anos, dívida pública moderada, Banco Central independente, regime de metas de inflação e disciplina fiscal reconhecida pelas agências de classificação de risco.

O segundo fator é o custo operacional. Empresas brasileiras relatam economia significativa com encargos trabalhistas, energia elétrica e burocracia regulatória. Os custos de mão de obra podem ser até 30% inferiores aos brasileiros.

O terceiro elemento é o desenho institucional para investimentos. O Paraguai estruturou mecanismos voltados especificamente à produção exportadora, simplificando procedimentos alfandegários, permitindo importação de insumos sem tributação e reduzindo o custo fiscal das operações industriais.

Finalmente, o governo paraguaio desenhou uma política de desenvolvimento industrial. O objetivo declarado é ampliar cadeias produtivas de maior valor agregado, reduzir a dependência de commodities e utilizar a energia abundante como instrumento de atração de investimentos.

No caso das empresas brasileiras, há um fator adicional, relatado pelo Valor. A implementação da reforma tributária levará ao fim gradual dos incentivos estaduais e à reorganização do sistema tributário nacional. Assim, parte das vantagens atualmente exploradas por empresas instaladas em determinados estados tende a desaparecer, levando grupos industriais a estudar alternativas.

O “triplo 10”

A marca mais conhecida do sistema tributário paraguaio é o chamado “10-10-10”: 10% de imposto sobre valor agregado (IVA); 10% de imposto de renda das pessoas físicas; 10% de imposto de renda das empresas. Em comparação com o sistema tributário brasileiro, a simplicidade é notável.

O principal instrumento utilizado pelas indústrias brasileiras, no entanto, é o já mencionado regime de maquila (a palavra remete à porção de grãos que os moleiros retinham depois da moagem, na época medieval). Nele, empresas exportadoras pagam 1% sobre o valor agregado local, podem importar máquinas e matérias-primas sem incidência de tributos, recuperam créditos de IVA e, em algumas situações, transferem dividendos ao exterior sem tributação adicional.

Em outras palavras, o diferencial competitivo não decorre apenas da baixa carga tributária geral, mas da existência de um regime específico criado para atrair investimentos industriais.

Um parêntese

Os bons indicadores macroeconômicos convivem com limitações importantes. O FMI destaca a elevada informalidade, a necessidade de ampliar a arrecadação, fortalecer a administração pública, desenvolver o mercado financeiro e melhorar os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.

Parte expressiva da população paraguaia enfrenta dificuldades de acesso a saneamento, infraestrutura e serviços públicos. O crescimento econômico reduziu significativamente a pobreza nas últimas duas décadas, mas os ganhos permanecem distribuídos de forma desigual entre regiões e grupos sociais.

Esse contexto ajuda a explicar por que o governo busca ampliar a industrialização: aumentar produtividade e renda tornou-se condição para sustentar a próxima etapa do desenvolvimento.

O que executivos devem acompanhar

Para empresas que avaliam instalar operações no Paraguai, a decisão exige uma análise mais ampla do que a comparação de alíquotas.

Entre os fatores positivos estão a previsibilidade macroeconômica, a simplicidade regulatória, os incentivos à exportação, o menor custo trabalhista e a estratégia governamental de atração de investimentos.

Por outro lado, convém ponderar limitações estruturais como o tamanho reduzido do mercado doméstico, gargalos de infraestrutura, disponibilidade de mão de obra qualificada em determinados setores e a dependência de cadeias logísticas internacionais. Também vale acompanhar a evolução da política industrial do país, que tende a privilegiar segmentos considerados estratégicos.

Para profissionais de Relações Governamentais, a experiência paraguaia oferece um debate útil, mas não necessariamente um modelo transplantável. Análoses do FMI e do Banco Mundial sugerem que a competitividade resulta da combinação entre estabilidade institucional, responsabilidade fiscal, continuidade das políticas públicas e ambiente regulatório previsível. A discussão sobre melhoria do ambiente de negócios brasileiro provavelmente será mais produtiva se incorporar esse conjunto de fatores, em vez de concentrar-se exclusivamente na redução de tributos.

Resumo da ópera

O Paraguai construiu, ao longo de aproximadamente vinte anos, um ambiente econômico suficientemente previsível para atrair investimentos industriais internacionais. Agora implementa um projeto de expansão da manufatura e das exportações. O aumento do interesse de empresas brasileiras indica que essa estratégia começa a produzir resultados concretos. Para executivos, trata-se de uma oportunidade que merece análise caso a caso. Para quem atua em Relações Governamentais, o movimento oferece um parâmetro útil para discutir competitividade: a disputa por investimentos envolve impostos, mas também qualidade institucional, previsibilidade regulatória e capacidade de executar uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

O que Vorcaro queria com Boulos?

O que Vorcaro queria com Boulos?
2

China se manifesta sobre possível vitória de Flávio Bolsonaro

China se manifesta sobre possível vitória de Flávio Bolsonaro
3

Ex-AGU tentou reunir Vorcaro e Gonet, indicam mensagens

Ex-AGU tentou reunir Vorcaro e Gonet, indicam mensagens
4

Bolsonaro tem taquicardia e falta de ar, aponta boletim médico

Bolsonaro tem taquicardia e falta de ar, aponta boletim médico
5

Crusoé: Ajudado pelo STF, Vaccari volta à cena

Crusoé: Ajudado pelo STF, Vaccari volta à cena
6

Fachin aciona PF para apurar ameaças contra Flávio Dino

Fachin aciona PF para apurar ameaças contra Flávio Dino
7

Eduardo Bolsonaro reage à possibilidade de pedido de extradição pela PF

Eduardo Bolsonaro reage à possibilidade de pedido de extradição pela PF
8

Roberto Reis na Crusoé: O medo requentado

Roberto Reis na Crusoé: O medo requentado
9

Alcolumbre pauta votação da PEC do fim da escala 6×1 para quarta-feira

Alcolumbre pauta votação da PEC do fim da escala 6×1 para quarta-feira
10

AGU pedirá direito de resposta e correção por reportagem sobre filme de Lula

AGU pedirá direito de resposta e correção por reportagem sobre filme de Lula
1

Renan Santos reclama de pressão para apoiar Flávio

Renan Santos reclama de pressão para apoiar Flávio
2

Fachin aciona PF para apurar ameaças contra Flávio Dino

Fachin aciona PF para apurar ameaças contra Flávio Dino
3

Criticar o carnaval é racismo? A tese de Ana Elisa

Criticar o carnaval é racismo? A tese de Ana Elisa
4

Por que evento de Lula em Paris tinha cadeira reservada a Vorcaro?

Por que evento de Lula em Paris tinha cadeira reservada a Vorcaro?
5

Fachin nega pedido de Fux por acesso a inquérito das fake news

Fachin nega pedido de Fux por acesso a inquérito das fake news
6

Nobel da Paz de 2026 vai para jurista sul-africana Navi Pillay

Nobel da Paz de 2026 vai para jurista sul-africana Navi Pillay
7

Roberto Reis na Crusoé: O medo requentado

Roberto Reis na Crusoé: O medo requentado
8

Datafolha: 78% consideram muito importante debate entre Lula e Flávio

Datafolha: 78% consideram muito importante debate entre Lula e Flávio
9

Record cancela debate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Record cancela debate entre Lula e Flávio Bolsonaro
10

José de Abreu cobra engajamento de artistas e cita Selton Mello

José de Abreu cobra engajamento de artistas e cita Selton Mello
1

Flávio volta a prometer posse ao lado de Jair Bolsonaro

Flávio volta a prometer posse ao lado de Jair Bolsonaro
2

José de Abreu cobra engajamento de artistas e cita Selton Mello

José de Abreu cobra engajamento de artistas e cita Selton Mello
3

Justiça da Itália marca nova audiência sobre extradição de Carla Zambelli

Justiça da Itália marca nova audiência sobre extradição de Carla Zambelli
4

Wilson Pedroso na Crusoé: O Judiciário aprendeu o significado da palavra compaixão?

Wilson Pedroso na Crusoé: O Judiciário aprendeu o significado da palavra compaixão?
5

Ipespe: Flávio tem 52,7% dos votos válidos contra 47,3% de Lula

Ipespe: Flávio tem 52,7% dos votos válidos contra 47,3% de Lula
6

Flávio não será eleito para fazer um novo governo Bolsonaro

Flávio não será eleito para fazer um novo governo Bolsonaro
7

Ibaneis pediu reunião na Suíça para tratar da compra do Master, diz PF

Ibaneis pediu reunião na Suíça para tratar da compra do Master, diz PF
8

Márcio Coimbra na Crusoé: A falha estratégica do vitimismo geopolítico

Márcio Coimbra na Crusoé: A falha estratégica do vitimismo geopolítico
9

Record cancela debate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Record cancela debate entre Lula e Flávio Bolsonaro
10

Flávio se comprometeu a renegociar dívida de Minas, diz Cleitinho

Flávio se comprometeu a renegociar dívida de Minas, diz Cleitinho

Tags relacionadas

Brasil industrialização paraguai regime de maquila tributação
< Notícia Anterior

Diga adeus ao calor dentro de casa com mudanças simples em janelas, cortinas, telhado e circulação de ar

10.07.2026 00:00 4 minutos de leitura
Diga adeus ao calor dentro de casa com mudanças simples em janelas, cortinas, telhado e circulação de ar
Próxima notícia >

Uma nova super-Terra localizada na zona habitável e relativamente próxima da Terra poderá revelar sua superfície

10.07.2026 00:00 4 minutos de leitura
Uma nova super-Terra localizada na zona habitável e relativamente próxima da Terra poderá revelar sua superfície
avatar

Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

Annie

10.07.2026 18:10

Eles não tiveram duas décadas de governo de esquerda


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

Annie

10.07.2026 18:10

Eles não tiveram duas décadas de governo de esquerda



Início
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
o antagonista
o antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Assine

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Icone do Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Icone do Instagram Icone do Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Privacidade Termos de uso Política de Cookies Princípios Editoriais
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé