O dia em que um Airbus gigante perdeu os 2 motores e planou por mais de 100 km sobre o oceano
Com 306 pessoas a bordo, a aeronave ficou sem combustível no Atlântico e iniciou uma corrida silenciosa contra a altitude
Em agosto de 2001, um Airbus A330 cruzava o Atlântico com 306 pessoas quando uma sequência de alertas começou a transformar uma viagem comum em uma emergência extrema. Sem um aeroporto próximo e com o combustível desaparecendo rapidamente, os pilotos precisariam realizar uma manobra que parecia impossível para uma aeronave daquele tamanho.
Como a viagem do voo 236 da Air Transat começou?
O voo saiu de Toronto, no Canadá, com destino a Lisboa, em Portugal, na noite de 23 de agosto de 2001. A bordo estavam 293 passageiros e 13 tripulantes, enquanto o Airbus A330-243 seguia normalmente pela rota sobre o Oceano Atlântico.
Horas depois da decolagem, os pilotos perceberam indicações incomuns no motor direito e uma diferença crescente entre os tanques das duas asas. O que eles ainda não sabiam era que uma tubulação havia rachado e o combustível estava escapando em uma velocidade cada vez maior.
Como o voo 236 da Air Transat virou um planador?
O vazamento começou no motor direito e continuou até comprometer todo o combustível disponível. Primeiro, esse motor parou de funcionar; cerca de 13 minutos depois, o motor esquerdo também apagou, deixando o enorme Airbus sem qualquer força de propulsão quando ainda estava a aproximadamente 120 quilômetros do aeroporto de Lajes, nos Açores.
- Manter a velocidade adequada para perder menos altitude
- Seguir as orientações do controle de tráfego dos Açores
- Usar a energia da turbina de emergência para sistemas essenciais
- Ajustar a rota sem contar com a força dos motores
- Preparar passageiros e tripulação para um possível pouso no oceano
- Alcançar a pista antes que a altitude terminasse
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Para complementar o tema, o canal Mayday Air Disaster apresenta o vídeo “Landing A Plane With No Fuel | Mayday Air Disaster | S1 EP6”. O material reconstrói a perda de combustível, o apagamento dos dois motores e a aproximação sem potência até a base aérea de Lajes:
Como um Airbus consegue voar com os motores desligados?
Um avião comercial não cai imediatamente quando perde os motores. Enquanto mantiver velocidade suficiente, suas asas continuam produzindo sustentação, permitindo que a aeronave avance enquanto perde altitude gradualmente, como acontece com um planador.
Os motores normalmente fornecem impulso, eletricidade e pressão para diferentes sistemas, mas não são responsáveis sozinhos por manter o avião no ar. No A330, uma pequena turbina de emergência acionada pelo fluxo do ar ajudou a fornecer energia hidráulica e elétrica básica, permitindo que os pilotos continuassem controlando a aeronave.
O que os números do voo 236 da Air Transat revelam?
Quando o segundo motor parou, o avião estava a cerca de 65 milhas náuticas do aeroporto de Lajes e voava a aproximadamente 34.500 pés de altitude. Isso representava pouco mais de 120 quilômetros de distância e cerca de 10,5 quilômetros acima do oceano.
Por que o vazamento de combustível não foi interrompido?
A investigação descobriu que o vazamento foi provocado pelo contato entre uma tubulação de combustível e uma linha hidráulica no motor direito. As peças tinham configurações incompatíveis após uma manutenção, fazendo com que uma linha esfregasse contra a outra até produzir uma rachadura de aproximadamente oito centímetros.
Quando os pilotos notaram o desequilíbrio entre os tanques, seguiram inicialmente o procedimento usado para redistribuir combustível entre as asas. Como o combustível continuava escapando pelo lado direito, essa transferência acabou enviando mais combustível para a área do vazamento, acelerando a perda antes que a verdadeira causa fosse compreendida.

Como os pilotos conseguiram alcançar a pista?
Sem os motores, a tripulação precisava administrar cuidadosamente cada metro de altitude. Auxiliados pelo controle de tráfego de Lajes, os pilotos direcionaram o Airbus para a ilha Terceira, mantendo a velocidade necessária para evitar uma perda de sustentação e preparando-se para um possível pouso no mar caso não alcançassem a base.
O avião chegou alto demais perto da pista, obrigando o comandante a realizar uma volta completa e movimentos laterais para perder altitude. O A330 cruzou a cabeceira a cerca de 370 km/h, tocou o solo com força e sofreu danos no trem de pouso, mas parou dentro da pista com todas as 306 pessoas vivas. De acordo com a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, 16 passageiros e dois tripulantes tiveram ferimentos durante a evacuação.
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