A mulher mais poderosa do Brasil
Pesquisa Meio/Ideia dá a dimensão do tamanho do erro dos filhos de Bolsonaro ao descartarem politicamente Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro (foto) está no imaginário popular brasileiro.
A ex-primeira-dama, que gosta de se expor cuidando do marido, detido em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, é tida como “a mulher que tem mais poder hoje no Brasil” para 15,4% dos eleitores, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 8.
Não é pouca coisa, porque a pesquisa foi espontânea, ou seja, não foram apresentados nomes para os 1.500 eleitores ouvidos de 3 a 6 de julho. Os consultados disseram o nome que lhes veio à cabeça.
“Não é trivial ser apontada espontaneamente por 15,4% do eleitorado como a mulher mais poderosa do Brasil. Um sinal forte do seu peso político”, constatou Mauricio Moura, fundador do Ideia.
Mulheres com mais poder
Na sequência de Michelle, aparece Janja Lula da Silva, mencionada por 9%. Talvez a atual primeira-dama fosse o nome mais óbvio a ser mencionado, por morar hoje no Palácio da Alvorada, e o fato de aparecer atrás de Michelle reforça a relevância política da mulher de Bolsonaro.
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia foi mencionada por 4,5%, seguida pela ex-presidente Dilma Rousseff (2,5%), pela ex-ministra Simone Tebet (2%), a deputada federal trans Erika Hilton (1,7%), a cantora Anitta (1,5%), a ex-ministra Marina Silva (1,5%), a influenciadora Virginia Fonseca (1,5%) e Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil (1,2%).
Outros 43,5% não souberam responder à pergunta, e 5,5% disseram “nenhuma”.
O vídeo
A pesquisa também questionou sobre o vídeo de desabafo de Michelle, que deflagrou uma nova crise na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e acabou resultando na saída da ex-primeira-dama do comando do PL Mulher e pondo em questão sua candidatura ao Senado.
Para 29% dos consultados, as afirmações de Michelle no vídeo, no qual ela se disse humilhada por Flávio ao tentar influir nas alianças no Ceará, são “totalmente verdadeiras”. Para 35%, são “mais verdadeiras do que falsas”, num total de 64% de avaliação positiva para ela.
Apenas 0,3% disseram que as afirmações são “totalmente falsas”, e 29%, que são “mais falsas que verdadeiras”, num total de 29,3%.
Para 23,4%, a divulgação do vídeo “aumentou a confiança em Michelle”. Outros 17,3% dizem que diminuiu, e 44,4% acham que não aumentou nem diminuiu.
Contra Lula
Michelle foi testada contra Lula numa possível disputa presidencial. Ela oscilou quatro pontos para baixo desde maio, de 40% para 36%, numa simulação de segundo turno contra o petista, que oscilou apenas um ponto para baixo no mesmo período e aparece com 45%.
A ex-primeira-dama aparece à frente de Lula entre os homens (42,1% contra 39,3%), mas atrás entre as mulheres (50,3% contra 30,4%).
Ela marca 47,6% nos eleitores mais jovens, de 16 a 24 anos, contra 34,3% de Lula, e se destaca também nas regiões Norte (48,4% contra 32,8%) e Sul (53,2% contra 17,7%).
Mas sua maior distância para Lula é entre os evangélicos: 63,3% a 17,7%.
Mulher não sabe votar?
Os eleitores também foram consultados sobre a afirmação do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que disse que as mulheres votam mal. Eles foram questionados se concordam com a afirmação de que “mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras”.
A maior parte (44%) disse discordar, e 16,6% discordaram totalmente, num total de 60,6%. Apenas 4,3% concordam totalmente e 7,3%, parcialmente, num total de 11,6%. Outros 7,7% não concordam nem discordam.
O recorte de gênero deixa mais claro o potencial destrutivo da afirmação de Figueiredo para a pré-campanha de Flávio: nenhum mulher concordou, nem total nem parcialmente, enquanto 9% dos homens concordaram totalmente e 15,1%, parcialmente.
A pesquisa apenas endossa o erro cometido pela família Bolsonaro ao descartar Michelle politicamente, principalmente num momento em que Flávio tenta melhorar seus índices no eleitorado feminino.
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Comentários (1)
Maglu Oliveira
08.07.2026 17:43Meu voto ela jamais terá. Bolsonaro é sempre Bolsonaro, a praga do Brasil!!! Já aviso que não sou esquerdista e muito menos petista.