“Acho que acabou”, diz Trump sobre cessar-fogo com Irã
Preço do barril de petróleo subiu 6% após a declaração, ultrapassando a marca de 78 dólares, o valor mais alto em mais de duas semanas
O presidente Donald Trump (foto) indicou o fim do acordo preliminar de cessar-fogo estabelecido com o Irã. Após semanas de uma calmaria frágil, a troca de ataques diretos e o retorno de sanções econômicas recolocam a região do Golfo Pérsico em um estado de alerta.
“Para mim, acho que acabou”, disse o presidente americano ao ser perguntado na cúpula da Otan em Ancara, na Turquia.
“Não quero mais lidar com eles. Eles são escória. Você sabe o que é escória? Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas. E se eles tivessem uma arma nuclear, eles a usariam. No que me diz respeito, acabou”, acrescentou, reafirmando a mensagem logo na sequência:
“No que me diz respeito, é apenas uma perda de tempo lidar com eles. Eles são mentirosos. Nós fazemos um acordo. E eles — se eu fizer um acordo com eles, nós temos um acordo. E eles saem, eles falam… Nós fazemos um acordo. Todo mundo concordou. Nenhuma arma nuclear. Nós fazemos um acordo. Eles saem, falam com a imprensa e dizem: ‘Nós nem falamos sobre isso’. Há algo errado com eles. Eles são malucos. No que me diz respeito, acabou.”
Firmado há pouco mais de três semanas na Suíça, o cessar-fogo tinha como objetivo principal a reabertura do Estreito de Ormuz — uma via vital para o transporte de petróleo e gás — e a facilitação de negociações para encerrar meses de hostilidades.
Escalada militar
A situação se deteriorou após o Pentágono realizar ataques aéreos contra alvos no sul do Irã e restabelecer sanções sobre as vendas de petróleo iraniano. Em represália, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã afirmou ter atingido 85 instalações militares dos EUA em Bahrein e Kuwait.
Os pontos críticos do confronto militar recente incluem:
- Abatimento de drone: As forças iranianas confirmaram a derrubada de um drone americano MQ-9 durante as operações.
- Defesa aérea: O Exército do Kuwait relatou a interceptação de mísseis e drones hostis, embora não tenha especificado publicamente a origem exata dos disparos.
- Ameaças de Teerã: O comando central militar do Irã classificou os ataques americanos como um “ato explícito de agressão” e prometeu uma resposta esmagadora contra qualquer interferência na gestão do Estreito de Ormuz.
O preço do petróleo
O mercado financeiro reagiu imediatamente às declarações de Trump e à instabilidade no Estreito de Ormuz. O preço do barril de petróleo subiu 6%, ultrapassando a marca de 78 dólares, o valor mais alto em mais de duas semanas.
Esse aumento reflete o medo de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, especialmente após o governo Trump revogar a isenção que permitia a venda de petróleo iraniano.
As negociações diplomáticas já enfrentavam um hiato devido às cerimônias fúnebres do Ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo morto no primeiro dia de um ataque conjunto entre EUA e Israel.
Enquanto o corpo de Khamenei era levado para a cidade santa de Qom após dias de luto nacional em Teerã, o negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de violações graves do acordo, afirmando que a “era da intimidação e extorsão acabou”.
Leia mais: Irã promete resposta após ofensiva aérea dos EUA no Estreito de Ormuz
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