Governo Lula acusa Flávio de “traição à Pátria” após audiência nos EUA
Secretaria da Comunicação da Presidência afirmou que participação do senador teve "claro objetivo eleitoreiro"
A Secretaria de Comunicação da Presidência divulgou uma nota oficial nesta terça-feira, 8, criticando a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para discutir a proposta de aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.
No comunicado, o governo Lula afirmou que a participação de Flávio teve “claro objetivo eleitoreiro” e que o senador teria sido o único brasileiro inscrito no debate a não se posicionar contra o tarifaço.
Segundo a Secretaria de Comunicação, dos 34 brasileiros que participaram da audiência, apenas Flávio Bolsonaro não teria defendido diretamente a revogação das medidas.
O governo também criticou declarações do senador sobre o Pix feitas durante sua participação no debate.
Ao final da nota, a Presidência afirmou que divergências políticas fazem parte do processo democrático, mas declarou que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria”. O comunicado acrescentou que há uma diferença entre fazer oposição ao governo e se opor ao Brasil.
Argumentos de Flávio
Durante a audiência pública, Flávio defendeu o cancelamento das sobretaxas aos produtos brasileiros.
Ao abrir seu discurso, Flávio solicitou que os membros da Comissão “não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do PIX e cancelem esta medida para que possamos negociar.”
O senador lembrou já ter feito o mesmo apelo ao presidente Donald Trump, ao vice-presidente James David Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, no mês de maio.
Também fez questão de ser enfático sobre os graves equívocos da sanção, que punem severamente o Brasil e a população brasileira, mas também são muito prejudiciais aos Estados Unidos.
O senador alertou aos membros da Comissão que os dados de 2025 mostraram que as tarifas não produziram os resultados pretendidos pelos Estados Unidos. “Em vez disso, elas foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro. Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro — exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões”, ressaltou.
Flávio Bolsonaro fez outras ponderações, uma vez que em apenas noventa dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente.
“Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter — premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências — seria o pior momento possível para agir”, disse Flávio, em um apelo aos membros da Comissão.
Em outro trecho de seu discurso, o senador defendeu o pix – o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.
“O PIX não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — para a economia formal. Esse avanço também beneficiou diretamente empresas americanas, já que o volume de transações processadas por cartões de pagamento emitidos por bandeiras dos Estados Unidos continuou crescendo paralelamente à ampla adoção do PIX”, disse Flávio.
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