Janaina Paschoal: “Sigo defendendo o que creio ser o certo”
Janaina Paschoal falou com exclusividade a O Comentarista a respeito de seus enfrentamentos com milícias virtuais

Janaina Paschoal falou com exclusividade a O Comentarista a respeito de seus enfrentamentos com milícias virtuais. Confira:
Quando e como se deu o primeiro ataque desses militantes virtuais? Houve um gatilho para o ataque? Ou eles ocorreram sem uma provocação específica?
No sábado anterior às manifestações [25 de maio], eu comecei a receber mensagens de pessoas de boa-fé, muito preocupadas com o Presidente, com a sua segurança, com a manutenção do seu mandato. Eu achei as mensagens estranhas, pois não via (não vejo) nenhum risco real ao Presidente e a seu mandato. Uma a uma, eu fui acalmando as pessoas, pois não acredito que um clima de pânico seja favorável ao país. Na sequência desse tipo de mensagem (de temor pelo Presidente), começaram as convocações. Eu liguei uma coisa à outra e entendi que seria meu dever desestimular manifestações para defender um mandato que não está em risco. Posso ter me precipitado, mas creio que a reação começou aí.
A senhora notou algum padrão nos críticos, seja de linguagem, argumento, ou mesmo visual? Ou eles não tinham uma característica em comum?
A palavra traidora é frequente; a menção ao arrependimento por ter votado, ou confiado em mim, idem; uma espécie de pressão para aderir as manifestações também esteve bem presente. Nos últimos dias, tenho recebido e-mails, meio que me ligando ao mal propriamente, questionando minha cristandade. Algo que os petistas também fizeram à época do impeachment, quando até religiosos me chamaram de demônio. Triste isso em uma Pátria de democrática convivência das religiões.
Os ataques sempre tiveram uma conotação política? Ou a senhora acha que havia outra coisa em jogo?
Além do viés político, há esse viés religioso. Intrigantemente, nos ataques da direita, não há ofensas sexistas. Por parte da esquerda, elas eram frequentes, muito baixas mesmo. Eles diziam que se eu queria aparecer, deveria ter engravidado de algum político. Os esquerdistas falavam muito em prostituição. A mulher sempre retratada como objeto. Nojento. Sempre havia a conotação sexual nas ofensas esquerdistas. Algo grotesco. Nesse aspectos, as ofensas atuais são menos agressivas.
A senhora já foi muito criticada, tanto pela esquerda quanto pela direita. Há alguma diferença nos ataques que partem de cada lado? Ou eles seguem uma mesma postura, mudando apenas o campo ideológico?
Os direitistas são mais explícitos e assumem suas falas, por mais absurdas que sejam. Eles gravam vídeos, mostram a cara. Os esquerdistas são mais dissimulados, terceirizam, disfarçam. Não raras vezes, te colocam numa posição de algoz. São mais competentes no mal, por isso insisto na burrice que são essas ofensas àqueles que só querem o sucesso do governo.
Como a senhora reagiu a esses ataques?
Olhe, da mesma forma, sigo defendendo o que creio ser o certo. Se parar para agradar A ou B, não faço nada.
O que a senhora sugere a quem, famoso ou não, se torne alvo de ataques semelhantes?
Que ignore. Nem leia, esses ataques contaminam a mente e a alma, não se ganha nada gastando tempo com isso.
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