Uma enorme formação escondida sob a camada de gelo da Antártida Oriental pode revelar os vestígios do antigo rompimento continental que separou a Antártida da Austrália
A Antártida Oriental, antes vista como um bloco gelado estável, revela uma história tectônica complexa
A Antártida Oriental, antes vista como um bloco gelado estável, revela uma história tectônica complexa.
Novos mapas do relevo subglacial indicam uma grande província de bacias em forma de leque, ligada à fragmentação de Gondwana. Essa estrutura influencia tanto a tectônica antiga quanto o fluxo atual do gelo.
O que é a província de bacias em forma de leque na Antártida Oriental?
A província de bacias em forma de leque é um conjunto de depressões subglaciais conectadas, distribuídas em torno de um ponto próximo ao Polo Sul. Em vez de bacias isoladas, elas formam um sistema tectônico de escala continental, envolvendo Wilkes, Aurora e a região do Lago Vostok.
Como a base rochosa está soterrada por quilômetros de gelo, essa província é identificada por dados geofísicos, como relevo subglacial, gravimetria, magnetometria e sísmica. O padrão resultante mostra bacias em “V” que se abrem como um leque, sugerindo um núcleo comum de deformação.
Hidden Beneath the Ice: New Discovery Reveals Rotational Forces That Shaped Antarctica
— Brian Roemmele (@BrianRoemmele) June 8, 2026
Deep under the vast East Antarctic Ice Sheet, ice that in places exceeds three kilometers in thickness, lies a colossal geological secret.
An international team of researchers has identified… pic.twitter.com/BWik2XIaCt
Como essa província se relaciona com a ruptura entre Antártida e Austrália?
A formação das bacias em leque é associada à fragmentação de Gondwana, especialmente à separação tardia entre Antártida e Austrália. A hipótese dominante propõe uma extensão rotacional distribuída, em que a crosta se estira e gira em larga escala, sem uma única falha principal.
Esse estiramento criou zonas de fraqueza litosférica ao norte da província, que depois foram aproveitadas pelo rifteamento e pela abertura oceânica. Assim, o leque ajudou a controlar o traçado das atuais margens continentais no Oceano Antártico.
Como a estrutura em leque se conecta a montanhas e bacias ocultas?
O mesmo campo de deformações que gerou as bacias pode ter influenciado cadeias montanhosas subglaciais e bacias profundas adjacentes. A oeste, episódios de compressão associados podem ter contribuído para o soerguimento dos Montes Gamburtsev, uma cadeia comparável a grandes sistemas montanhosos expostos.
A leste, há indícios de rotação de blocos crustais em segmentos das Montanhas Transantárticas, o que explicaria variações de altitude e geometria. Essas montanhas, que dividem Antártida Oriental e Ocidental, tiveram sua arquitetura ajustada por essa tectônica em leque.
New Daily Trends build: East Antarctic Fan-shaped Basin Province discovery. Hidden radial network of subglacial basins mapped beneath >3 km of ice, formed before Gondwana breakup. Used Reference Reconstruction + Reference-Locked Grok Imagine Agent route for accurate visuals. Grok… pic.twitter.com/VE9np986CB
— daryl (@shortsbydaryl) June 5, 2026
Por que a província de bacias em leque é importante para o manto de gelo?
O relevo subglacial controla o trajeto, a velocidade e a espessura das correntes de gelo na Antártida Oriental. Bacias profundas canalizam o fluxo para o interior, enquanto cristas atuam como barreiras, influenciando a estabilidade da camada de gelo frente ao aquecimento oceânico e atmosférico.
Por isso, essa província entra como condição de contorno em modelos numéricos de evolução da calota. Uma interpretação inadequada dessas estruturas pode distorcer projeções de escoamento de gelo, sensibilidade climática regional e contribuições futuras ao nível do mar global.
Por que a província ainda é considerada um modelo em teste?
Apesar do avanço de radares de penetração no gelo, sísmica e gravimetria, a cronologia das deformações segue pouco definida. Diferentes fases de extensão, rotação e compressão podem ter ocorrido ao longo de centenas de milhões de anos, antes e depois da ruptura de Gondwana.
As principais incertezas atuais incluem:
Datas exatas de formação e reativação das bacias em leque.
Intensidade relativa da extensão versus compressão em cada setor.
Conexão detalhada com a abertura dos oceanos do sul.
Impacto preciso na evolução e na futura estabilidade do gelo.
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