Dennys Xavier na Crusoé: Por que a história não aceita reparações?
Relações sociais tornam-se mais tensas quando diferentes indivíduos deixam de acreditar que participaram do mesmo processo de seleção
Thomas Sowell, um dos maiores intelectuais do nosso século, completa 96 anos num momento em que o mundo parece cada vez mais convencido de que o passado pode ser reorganizado e reescrito por decisões políticas tomadas no presente.
Poucas ideias conquistaram tamanho prestígio quanto a de reparar injustiças históricas por meio da ação do Estado.
Sua força é compreensível. Ela desperta um senso imediato de justiça e oferece uma resposta simples para problemas complexos, cuja origem atravessa gerações de homens e de civilizações.
Mesmo assim, Sowell passou boa parte de sua vida intelectual olhando para essa convicção com desconfiança. Não porque ignorasse o peso da escravidão, da segregação ou das inúmeras formas de discriminação que marcaram diferentes sociedades, muito longe disso.
Tampouco porque acreditasse que a história tivesse sido benevolente com todos os povos.
Seu desconforto surgia em outro lugar. Ele queria saber o que acontecia depois que uma política era colocada em prática.
Ele queria saber se, para além das intenções propaladas, políticas de “reparação histórica” realmente funcionavam. Enquanto muitos concentravam a atenção nos objetivos declarados, ele voltava os olhos para os efeitos produzidos ao longo do tempo.
Essa diferença de perspectiva explica…
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