Roberto Reis na Crusoé: Lula agradece a covardia
Tarcísio e Ratinho abandonaram o Brasil à própria sorte. Não tem nada de ilegal nisso. Mas também não é nada heroico
Há derrotas impostas pelo adversário. E há derrotas preparadas, cuidadosamente, por quem deveria enfrentá-lo. A direita brasileira está construindo a segunda, nesse exato momento.
Lula chegou a 2026 velho, desgastado, rejeitado por metade do eleitorado e comandando um governo que ainda precisa convencer o brasileiro de que sua vida melhorou. Está longe de conseguir.
Contudo, do outro lado, havia governadores populares, máquinas estaduais poderosas, experiência executiva e nomes capazes de conversar ao mesmo tempo com o bolsonarismo, o mercado e o eleitor cansado da polarização.
Parecia difícil estragar, mas eles conseguiram.
Jair Bolsonaro preferiu o filho. Tarcísio de Freitas preferiu São Paulo. Ratinho Junior preferiu preservar o patrimônio familiar.
Então chegamos à pergunta: como um presidente com quase 50% de rejeição virou favorito? A resposta tem três nomes. Nenhum deles é Lula.
O herdeiro
Flávio Bolsonaro não é irrelevante. Tem sobrenome, estrutura, base mobilizada e a bênção do pai.
Pode chegar ao segundo turno. Apesar das crises atuais, pode até vencer, acredite. O problema é que sua candidatura carrega dentro dela os próprios mecanismos de contenção.
Rejeição de 48%, numericamente acima da de Lula. Leia de novo: o candidato da oposição começa mais rejeitado que o presidente que pretende derrotar.
Uma candidatura oposicionista deveria ser o endereço natural do cansaço. Flávio conseguiu a proeza de se tornar tão cansativo quanto o governo.
E ele fez isso sem nunca ter governado uma cidade sequer.
Sem nunca ter administrado um estado. Sem nunca…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)