Motorista não percebeu que estava com o óleo vazando e teve o veículo retido por agentes
Carro com mangueira ressecada, cheiro de combustível ou mancha de óleo pode cair no CTB art. 231 e ser retido para regularização da falha
O art. 231 do Código de Trânsito Brasileiro alcança uma situação que muitos motoristas quase nunca lembram: circular com o carro derramando combustível, óleo ou outro lubrificante sobre a pista. Em veículos antigos, utilitários de trabalho e carros com manutenção atrasada, um vazamento pequeno pode deixar de ser só problema de oficina e virar risco para a segurança da via.
Por que vazamento no carro pode dar multa?
O vazamento pode dar multa porque o Código de Trânsito Brasileiro trata a pista como espaço de circulação segura. Quando um veículo espalha óleo, diesel, gasolina ou lubrificante no asfalto, ele cria uma faixa escorregadia para motos, bicicletas, carros e caminhões que vêm atrás.
O ponto que surpreende muita gente é que a infração não depende de acidente. O simples ato de transitar derramando produto usado pelo próprio veículo já pode gerar enquadramento. O problema aparece bastante em carros antigos, caminhonetes, vans de entrega e veículos que rodam todos os dias sem revisão.
O que o art. 231 diz sobre?
O art. 231 prevê infração para quem transita derramando, lançando ou arrastando sobre a via combustível ou lubrificante que esteja utilizando. A regra também menciona carga e objetos que possam criar risco, mas o trecho sobre fluidos do veículo é o que mais interessa para quem dirige carro com vazamento.
Na prática, o motorista deve observar sinais simples antes de sair. Alguns deles costumam indicar que o carro pode estar deixando rastro na rua:
- mancha de óleo no chão da garagem;
- cheiro forte de combustível depois de abastecer;
- pingos perto do motor, câmbio ou diferencial;
- consumo anormal de óleo entre trocas;
- mangueira ressecada, rachada ou mal encaixada;
- tampa do tanque, bujão ou filtro com vazamento.

Como isso afeta a segurança da via?
A segurança da via depende do atrito entre pneu e asfalto. Quando óleo ou combustível se espalha no piso, esse atrito cai. Para uma moto, uma curva com resíduo lubrificante pode ser suficiente para causar queda. Para um carro, a frenagem pode ficar mais longa e instável.
O risco aumenta em chuva fina, trechos de descida, rotatórias, curvas de rodovia, faixa de ônibus, posto de combustível e ruas de tráfego intenso. Nesses pontos, o derramamento de combustível ou lubrificante vira uma armadilha difícil de perceber, principalmente à noite ou em piso já escurecido.
Quais veículos exigem mais atenção?
Veículos antigos exigem atenção maior porque borrachas, juntas, retentores e mangueiras sofrem com calor, tempo de uso e peças paralelas de baixa qualidade. Um carro que parece “funcionar bem” pode estar perdendo óleo pelo cárter, combustível pela linha de alimentação ou fluido por componentes desgastados.
Motoristas que dependem do carro para trabalhar também devem redobrar o cuidado. Antes de rodar o dia inteiro, vale conferir:
Nível de óleo do motor
Conferir o óleo ajuda a identificar consumo excessivo, vazamentos ou risco de funcionamento inadequado do motor.
Estado das mangueiras de combustível
Mangueiras ressecadas, rachadas ou mal encaixadas podem provocar vazamentos e aumentar o risco de falhas e incêndio.
Vazamentos embaixo do veículo
Pingos ou poças sob o carro podem indicar perda de óleo, combustível, fluido de arrefecimento ou outro líquido importante.
Cheiro de gasolina, etanol ou diesel
Odor de combustível deve ser investigado rapidamente, pois pode indicar vazamento no sistema de alimentação do veículo.
Fumaça ou respingos ao ligar o motor
Fumaça anormal, respingos ou vapor depois da partida podem revelar vazamentos, aquecimento ou falhas mecânicas.
Manchas deixadas depois de estacionar
Marcas recorrentes no piso ajudam a identificar possíveis vazamentos e devem ser observadas antes que o problema aumente.
Qual é a penalidade para quem circula vazando óleo?
A infração ligada ao derramamento de combustível ou lubrificante é gravíssima. Além da multa, o CTB prevê retenção do veículo para regularização. Isso significa que o problema pode gerar transtorno imediato, especialmente para quem usa o carro em rota de entrega, trabalho autônomo, transporte de ferramentas ou deslocamento diário.
Como a infração gravíssima tem multa de R$ 293,47, o prejuízo pode sair maior do que uma revisão preventiva. Em alguns casos, trocar uma junta, reapertar uma conexão, substituir uma mangueira ou corrigir um vazamento simples custa menos do que lidar com autuação, parada na fiscalização e risco de ficar sem o veículo.
Como evitar que um vazamento vire problema na fiscalização?
O cuidado mais seguro é tratar vazamento como falha de circulação, não apenas como sujeira de garagem. Se o veículo está deixando rastro, pingando após estacionar ou exalando cheiro de combustível, ele pode comprometer a segurança da via antes mesmo de parar de funcionar.
O art. 231 do Código de Trânsito Brasileiro mostra que manutenção atrasada também tem reflexo no trânsito. Para donos de carros antigos, utilitários e veículos usados todos os dias, revisar óleo, combustível, filtros, mangueiras e retentores não é só preservação mecânica. É uma forma de evitar derramamento de combustível ou lubrificante, reduzir risco de acidente e impedir que um defeito pequeno termine em multa gravíssima.
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