Artista tem peça cancelada em Curitiba e acusa censura
Teatro alega motivo contratual e nega relação com o conteúdo da obra, que trata de religião, moral e opressão
A apresentação de “A Igreja da Fran”, segunda parte da trilogia iniciada com “King Kong Fran”, foi suspensa no Teatro Ópera de Arame, em Curitiba (PR). O anúncio ocorreu na noite de quarta-feira, 1º de julho.
Rafaela Azevedo, criadora e protagonista do espetáculo, atribui a decisão a uma ação de censura promovida por órgãos públicos ligados à gestão do espaço. De acordo com O Globo, cerca de 200 ingressos já haviam sido vendidos para a sessão, prevista para 23 de agosto.
Acusação de censura
Rafaela afirma que o cancelamento ocorreu mesmo com contrato assinado e vendas confirmadas, o que a levou a classificar o episódio como censura. Em publicação nas redes sociais, a atriz declarou: “Não existe outra palavra a não ser censura”, associando a suspensão a uma reação ao conteúdo crítico da peça sobre instituições religiosas.
A obra dá continuidade ao debate proposto em “King Kong Fran” — um dos espetáculos de maior repercussão do teatro brasileiro nos últimos anos — e trata das relações entre religião e opressão, questionando trechos bíblicos interpretados como misóginos e mencionando episódios de abuso cometidos por autoridades religiosas.
Versão da administração do teatro
A DC Set, empresa que administra a Ópera de Arame por meio de concessão à iniciativa privada, divulgou nota afirmando que a não realização do espetáculo decorre unicamente de impasses contratuais que teriam inviabilizado a confirmação do evento na data estabelecida. A concessionária afirmou que a decisão não guarda nenhuma ligação com censura.
Sequência da turnê
Com a suspensão em Curitiba, o público que já havia adquirido ingressos será reembolsado pela produção do espetáculo.
Apesar do cancelamento, a peça segue em cartaz em outras cidades. Neste mês, Rafaela Azevedo apresenta “A Igreja da Fran” no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, e a partir de setembro a montagem estreia no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro.
A atriz afirmou não esperar reação tão rápida ao projeto, dizendo que sabia que a obra geraria desconforto, mas não previa que isso ocorreria já no primeiro mês de temporada.
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