Um verme encontrado nas praias da Escócia pode ultrapassar 55 metros de comprimento, tornando-se mais longo que uma baleia-azul, além de produzir um muco com potente neurotoxina
Não é a baleia-azul, mas um discreto verme que vive em fundos arenosos e rochosos de águas frias do hemisfério norte
Entre as criaturas mais curiosas do planeta, existe um animal marinho extremamente fino e alongado que pode ultrapassar o comprimento de uma piscina olímpica.
Não é a baleia-azul, mas um discreto verme que vive em fundos arenosos e rochosos de águas frias do hemisfério norte. Em dias de ressaca, pode aparecer nas praias, confundido com um fio de corda encharcado.
O que é o verme-botas e por que ele pode ser tão longo?
O verme-botas é um verme-fita do filo Nemertea, com destaque para a espécie Lineus longissimus, frequentemente citada como o animal mais comprido já medido. Seu corpo pode alcançar várias dezenas de metros, mas tem apenas alguns milímetros de largura, lembrando um cadarço fino.
Esse comprimento extremo é possível graças a um “esqueleto hidrostático”, baseado em fluidos internos e camadas musculares. O animal contrai e distende o corpo com grande amplitude, o que faz o comprimento variar muito, tornando medições extremas pouco confiáveis.
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— Nature is Amazing ☘️ (@AMAZlNGNATURE) April 3, 2024
Onde vive o verme-botas e como ele se alimenta?
O verme-botas ocorre principalmente em águas frias costeiras do Atlântico Norte, como Reino Unido, Noruega, Suécia e mar Báltico. Ele habita o entremarés, escondido sob rochas, entre algas, na lama ou enterrado em sedimentos rasos.
É um predador de pequenos invertebrados, como crustáceos e anelídeos. Para capturar presas, usa um probóscide eversível, uma tromba muscular que se projeta rapidamente, envolve o alvo e pode liberar muco pegajoso e tóxico para imobilizá-lo.
Como funciona o veneno do verme-botas?
O corpo e o probóscide do verme-botas são recobertos por um muco espesso com peptídeos neurotóxicos. Uma toxina descrita recentemente atua sobre canais de sódio voltagem-dependentes, essenciais para a transmissão de impulsos nervosos em muitos invertebrados.
Ao alterar esses canais, o veneno provoca disparos nervosos descontrolados, causando contração contínua e, em seguida, paralisia. Em mamíferos, os efeitos tendem a ser leves e locais, pois os canais de sódio têm configuração diferente, mas recomenda-se não manipular o animal para evitar irritações e danos ao organismo frágil.
O canal Magnus Karlsson compartilhou um registro do verme:
O veneno do verme-botas pode ser usado como inseticida?
As toxinas do muco despertam interesse em química e farmacologia como modelos para novos inseticidas. Estudos iniciais sugerem vantagens importantes em comparação com compostos tradicionais, especialmente diante da crescente resistência de pragas agrícolas.
Alta seletividade para canais de sódio de artrópodes, com menor risco para mamíferos.
Estrutura peptídica complexa, útil como molde para moléculas sintéticas.
Ação rápida em insetos e ácaros, adequada a pragas de ciclo curto.
Quanto tempo vive o verme-botas e o que falta descobrir?
Nemertinos eram considerados animais de vida curta, mas estudos com espécies aparentadas em cativeiro indicam potencial para longevidades de muitos anos. Em ambientes frios e estáveis, um verme-botas grande pode viver longos períodos, possivelmente décadas.
Persistem dúvidas sobre taxa de crescimento, relação entre comprimento e idade, capacidade de regeneração e impacto ecológico sobre comunidades locais de invertebrados.
Registros confiáveis em campo e monitoramentos de longo prazo ainda são raros, mantendo esse animal comum e, ao mesmo tempo, pouco conhecido.
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