Wagner já sabia que seria alvo da PF?
Ex-líder do governo Lula conversou a sós com diretor da PF dias antes da nona fase da Operação Compliance Zero; ele também procurou André Mendonça para explicar relação com ex-sócio de Vorcaro
Um vídeo publicado por O Globo mostra que o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, conversou a sós (foto) com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, dias antes de virar alvo da Operação Compliance Zero.
A conversa ocorreu em 9 de junho, durante um evento da Presidência da República no Palácio do Planalto.
No dia seguinte, 10 de junho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, assinou a representação que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero.
As buscas na casa do senador na Bahia e no hotel onde mora em Brasília ocorreram em 18 de junho.
A conversa
Pelo vídeo, não é possível saber o teor da conversa entre o ex-líder do governo no Senado e o diretor da PF.
Andrei Rodrigues e Jaques Wagner não se manifestaram sobre o diálogo.
A PF apreendeu 55 mil dólares e 33 mil euros nos endereços ligados a Wagner.
Os investigadores também encontraram indícios de que o petista recebeu pagamentos do Master pela empresa da nora, além de ganhar um apartamento de presente avaliado em 2,45 milhões de reais e viajar com frequência nos jatos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
Leia mais: PF vê apartamento de R$ 2,4 mi em Salvador como propina para Jaques Wagner
Wagner tentou se explicar a Mendonça
Jaques Wagner procurou o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master, uma semana antes da operação de busca e apreensão da PF.
O ex-líder do governo Lula no Senado queria dar explicações ao magistrado sobre sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Segundo o jornal, a iniciativa gerou suspeitas entre os investigadores, que já preparavam a nona fase da Operação Compliance Zero.
Jaques Wagner foi o alvo principal da operação policial.
Como o líder do governo Lula atuou pelo Master
A Polícia Federal detalhou o que identificou como atuação de Jaques Wagner em favor do Banco Master no pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para deflagrar a nona fase da Operação Compliance Zero.
Ao autorizar o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão, o relator do caso, ministro André Mendonça, disse que “a representação descreve possível atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master”.
De acordo com a representação, o senador “teria mantido interlocução direta com Augusto Ferreira Lima” sobre temas relacionados “à elevação da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, além de autorizar a realização de empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda, ensejando a apresentação da Emenda no 30 à Medida Provisória no 1.106/2022 (posteriormente convertida na Lei no 14.431/2022)”.
Emenda Master e venda ao BRB
Os investigadores identificaram atuação de Wagner em ao menos outras duas questões favoráveis ao Master.
Uma delas foi a “tentativa de aprovação da PEC no 65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, que ficou conhecida como “Emenda Master”.
A proposta foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), outro alvo da Compliance Zero, e teria como objetivo sustentar o negócio do Master, cuja gestão irresponsável se escorava na perspectiva de cobertura do FGC contra as consequências de investimentos insustentáveis.
Além disso, a PF identificou em Wagner “atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB)”.
O Banco Central acabou vetando a compra do Master pelo BRB, o que culminou na liquidação extrajudicial da instituição financeira de Vorcaro.
Leia também: Jaques Wagner apresenta recurso para anular decisão que autorizou busca e apreensão
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)