As rochas espalhadas por um meteorito na Austrália continham o material sólido mais antigo já encontrado pela humanidade, formado bilhões de anos antes do nascimento do Sistema Solar
Na manhã de 28 de setembro de 1969, um bólido cruzou o céu de uma região rural de Victoria, na Austrália
Na manhã de 28 de setembro de 1969, um bólido cruzou o céu de uma região rural de Victoria, na Austrália, fragmentando-se sobre estradas, plantações e construções próximas à pequena cidade de Murchison.
Moradores recolheram as rochas escuras sem saber que elas se tornariam referência central em cosmquímica e astrobiologia por décadas.
O que é o meteorito Murchison e qual sua classificação?
O meteorito Murchison é um condrito carbonáceo do grupo CM2, rico em carbono, minerais hidratados e matéria orgânica. Ele preserva materiais formados há cerca de 4,6 bilhões de anos, quando o Sistema Solar ainda era uma nuvem de gás e poeira em colapso.
Como a queda foi observada e os fragmentos foram rapidamente coletados, a contaminação terrestre foi relativamente limitada. Estima-se que mais de 100 quilos de material tenham sido recuperados, permitindo ampla distribuição para museus e laboratórios ao redor do mundo.
bukan sembarang batu biasa..
— 𝙅𝙤.𝙣𝙖𝙥 (@jnessy_) November 19, 2023
ini adalah batu meteor yg jatuh di murchison, australia tahun 1969. yg membuat batu meteor ini unik adalah ditemukan partikel silikon karbid (titik2 warna putih) berusia 7M tahun
jadi batu ini mengandung partikel lebih tua 2,5M dari tata surya kita pic.twitter.com/z5o6Ht9va8
Por que o meteorito Murchison se tornou uma amostra padrão?
Murchison se tornou um padrão de estudo porque combina abundância de material, boa preservação e composição química diversa. Amostras foram analisadas em vários países, gerando um enorme conjunto de dados comparáveis sobre minerais, isótopos e moléculas orgânicas.
Desde a década de 1970, seu nome aparece de forma recorrente em estudos sobre origem do Sistema Solar, química orgânica extraterrestre, água em asteroides e evolução de pequenos corpos. Muitos trabalhos usam o meteorito Murchison como referência para calibrar métodos analíticos e comparar novos achados.
O que torna a composição do meteorito Murchison especial?
A rocha contém uma variedade notável de compostos orgânicos, incluindo aminoácidos, hidrocarbonetos aromáticos e ácidos carboxílicos. Esses blocos químicos sugerem que processos pré-bióticos podem ocorrer em asteroides, antes da formação de planetas semelhantes à Terra.
Além disso, o meteorito abriga grãos pré-solares com assinaturas isotópicas anômalas, indicando origem em estrelas anteriores ao Sol. Em 2020, alguns desses grãos foram datados entre 5 e 7 bilhões de anos, tornando-se o material sólido mais antigo conhecido em laboratório.
We're weeks away from the 50th anniversary of the epic meteorite landing in Victoria's Murchison, and the town have some incredible events in the works inc seeing the 100kg(!) meteor itself, so add it to your #AFLGrandFinal weekend plans! https://t.co/4oalRyyVvw pic.twitter.com/Wa6MYxVzgW
— Alan Duffy (@astroduff) September 9, 2019
Como os cientistas datam grãos mais antigos que o Sol?
Para datar grãos pré-solares, os cientistas avaliam isótopos produzidos pela interação de raios cósmicos com esses minerais ao longo de sua viagem pelo espaço interestelar. O processo começa com a separação cuidadosa dos grãos resistentes da matriz do meteorito.
Os passos principais desse procedimento podem ser resumidos da seguinte forma, mostrando como a poeira estelar é isolada e medida com precisão:
Triturar o meteorito em pó e aplicar tratamentos químicos controlados.
Concentrar grãos resistentes, como carboneto de silício (SiC).
Medir isótopos produzidos por raios cósmicos com espectrômetros de massa.
Usar modelos físicos para converter essas medidas in idades aproximadas.
O que o meteorito Murchison revela sobre a história da galáxia?
As idades variadas dos grãos pré-solares revelam episódios de formação estelar na Via Láctea anteriores ao nascimento do Sol. Muitos grãos parecem ter vindo de estrelas envelhecidas, que ejetaram poeira rica em elementos recém-sintetizados para o meio interestelar.
Assim, o meteorito Murchison funciona como um arquivo físico da evolução galáctica e do Sistema Solar nascente.
Em uma única rocha caída em 1969 em uma área rural, encontramos registros de estrelas extintas, de poeira interestelar ancestral e de processos que moldaram a composição dos planetas atuais.
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